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03 outubro 2011

Castelo e residência de Simões Lopes devem ser tombados

Dois pedidos formais de tombamento devem chegar em breve ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), em Porto Alegre. O diretor Eduardo Hahn esteve em Pelotas para visitar as construções: o Castelo Simões Lopes - erguido em 1922 - e a residência, em estilo neomourisco, que pertenceu a João Simões Lopes Neto, o maior autor regionalista do Rio Grande do Sul. A proteção legal dos prédios seria apenas um primeiro passo. Em ambos os casos, a restauração é urgente.

Fotos atuais e antigas, documentos, plantas, dados históricos. O embasamento deve garantir a instrução dos processos. E, mesmo que o tombamento venha, não é a solução, é só o início, alerta o diretor do Iphae. No casarão da rua Santa Tecla o restauro, com verbas públicas ou através das leis de Incentivo à Cultura, precisaria ser resultado de um longo debate para indicar qual seria o uso do imóvel no futuro. Para justificar o investimento público, no entanto, o bem privado teria de ganhar utilização coletiva.

A ligação com Simões
O palacete, erguido na então rua Paissandu, 2, pertenceu a João Simões Lopes Neto, filho de Catão Bonifácio e Teresa. É concreto. Uma certidão, garimpada em cartório pelo simoneano Mogar Xavier, comprova: “A casa foi adquirida por ele em 1896, aos 31 anos, e vendida em 1897, mas não afirmaria que viveu no local”, diz.

Sem uma intervenção rápida, “será uma ruína muito em breve”, afirma o historiador do Iphae, Robson Dutra. Cairiam mais do que forros com ornamentos em madeira recortada, paredes com pintura mural ou a fachada em estilo neomourisco. Poderia se perder parte da história, não apenas da arquitetura.

Castelo Simões Lopes

Claraboia quebrada. Telhado desabado. Piso comprometido. Fungos nas paredes. Aberturas deterioradas. Porta de entrada sem fechadura. É um retrato do Castelo Simões Lopes, construído em 1922 por Augusto Simões Lopes. O cenário é de abandono, apesar de a Guarda Municipal permanecer de plantão no patrimônio adquirido pelo Executivo em 1991.

Nas mãos da prefeitura, a construção projetada pelo arquiteto alemão Fernando Rullman, já foi Casa de Cultura e Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Hoje é síntese de saques e vandalismo. Sem qualquer uso oficial.

Um recurso negociado com o Ministério da Saúde seria insuficiente para cobrir a restauração. “Os cerca de R$ 400 mil daria praticamente só para o telhado e a engenharia da Caixa Econômica, que é o gestor das obras do governo, não aceitou fazer por etapas”, explica a secretária de Saúde, Arita Bergmann. Um outro projeto deve, então, ser elaborado em conjunto com a Secretaria de Cultura (Secult), com vistas a um Memorial da Saúde Mental - sugere Arita.

 Por: Michele Ferreira


Rethalhado de http://www.diariopopular.com.br

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