Cesare Brandi pode ser considerado como um dos teóricos mais proeminentes no
campo da Restauração nas décadas sub-seqüentes ao pós-guerra, empreendendo inovadora
reflexão acerca das premissas filosóficas e conceituais que fundamentam esta disciplina. Seu
pensamento, entretanto, é tributário à tradição clássica da filosofia, não mencionando
diretamente na extensão de sua obra todo debate precedente realizado em mais de um século
dentro do próprio campo disciplinar do Restauro. Neste sentido, sua teoria apresenta um
enraizamento notavelmente fenomenológico, responsável em parte pela novidade de sua
abordagem. Neste artigo objetivamos apresentar brevemente os principais conceitos
derivados desta compreensão fenomenológica do restauro, em específico sua temporalidade e
historicidade.
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10 julho 2015
07 junho 2013
PEQUENO RESUMO DA HISTÓRIA DA CONSERVAÇÃO/ RESTAURAÇÃO
Os antigos gregos já priorizavam a conservação de suas obras, praticando a Conservação Preventiva, pois faziam a seleção de materiais e técnicas para a execução de suas esculturas e pinturas. Os templos tinham o papel dos museus, onde as esculturas e outras peças eram inventariadas e as esculturas arcaicas eram enterradas. A Restauração era praticada para recompor partes de peças que eram danificadas pelas guerras e roubos.
Na Roma antiga, a prática do colecionismo indicava poder social e político. As coleções eram privadas, e as obras eram modificadas ao serem obtidas. Faziam-se cópias e reproduções e praticavam-se intervenções drásticas, como a transposição de pinturas murais para painéis de madeira. Os romanos, pela dominação territorial extensa, absorveram várias culturas e religiões, modificando-as. Buscavam a imortalidade da matéria. Devido a isso, a restauração era vista como magia, pois o restaurador era aquela pessoa especial que dava vida à obra através do realismo obtido pelas intervenções. O restaurador tinha cargo público: curator statuarum.
Na Idade Média, a Conservação/Restauração estava ligada à recuperação de materiais. A pobreza e a falta de matéria-prima levavam à destruição de monumentos e à refundição de esculturas e peças de metal; buscavam-se recuperar pedras e peças de monumentos abandonados; os templos, termas e teatros serviam como canteiros de obtenção de mármores; fragmentos e esculturas inteiras de mármores eram queimados para a fabricação da cal utilizada na argamassa. As obras sofriam intervenções “utilitárias” ou de gosto, e o restaurador era considerado o artista, pois as “corrigia”.
Inicia-se então um grande desenvolvimento de técnicas e do fazer artesanal, com o qual aparecem os primeiros tratados técnicos, fruto das experiências dos monastérios, como o Libro Del Arte, de Cenino Cennini (séc. XIV), sobre técnicas pictóricas.
Com o Renascimento, a Restauração fez prevalecer a instância estética sobre a histórica, através de inserções e renovações que mudam o significado iconográfico das obras: há uma busca de avanços tecnológicos e emprego de materiais distintos dos do original mas com o intuito de depois igualá-los através de pátinas; há presença de um colecionismo conservador e recuperador, motivado pelo gosto classicista; surgem falsificações através de intervenções que se aproximam do original, e são motivadas pelo gosto dos antiquários; ocorrem modificações no tamanho e formato das obras, devido à mudança de gosto e também às trocas de coleções, assim como, nas imagens, por meio de transformações mais realistas e também pelas mudanças de fundos; as intervenções relacionadas à religião alteram as obras por razões de culto, seja para valorizar o santo ou para substituí-lo por outro cuja devoção fosse mais atual; imagens consideradas indecentes são destruídas; imagens religiosas com grandes lacunas são queimadas em nome do respeito; proíbem-se as imagens de nus, nas quais são colocados vestidos e “panos de pureza”.
No Barroco, a Conservação/Restauração adquire um caráter mais específico devido à definição, pelo mercado, das diferenças entre artista e restaurador; buscamse novos materiais, técnicas e teorias sobre as possibilidades e os limites da restauração da matéria e sobre o valor histórico e cultural das obras; ocorrem avanços nas técnicas de restauração dos suportes e de limpezas; as transposições e marouflages passam a ser amplamente utilizadas; valorizaram-se a pátina do tempo; há uma difusão de produtos devido aos receituários; a reintegração cromática é realizada, de forma ilusionista através de repintura com os mesmos materiais do original; esculturas são complementadas e patinadas; iniciam-se uma busca por materiais reversíveis, e continuam as mudanças formais e de tamanho, de acordo com o gosto da época.
No
final do século XVIII e no século XIX, com o Classicismo, a
Conservação/Restauração vincula-se ao sentimento de patrimônio
cultural coletivo: criam-se museus e academias; controlam-se as
intervenções nas obras; as coleções são abertas ao público, e
os museus adotam políticas pedagógicas” em relação aos
visitantes; surge a definição de museu: “local onde se guardam
várias curiosidades pertencentes às ciências, letras e artes
liberais”.
Na pintura, buscam-se materiais mais estáveis,
experimentando-se diversos aglutinantes, com preferência para as
têmperas e encáusticas, pelo seu não-amarelecimento e
não-escurecimento; há uma maior compreensão sobre as alterações
das cores devido ao tempo e sobre a instabilidade de determinados
pigmentos como o azul da Prússia; surgem novos pigmentos brancos,
como o branco de zinco que substitui o branco de chumbo; a cera é
usada, na frente e no verso da pintura, como camada de proteção
contra umidade; iniciam-se os estudos sobre a oxidação dos
materiais; inspetores do Estado controlam os trabalhos dos
restauradores e classificam as obras de acordo com as suas
deteriorações; produtos corrosivos deixam de ser utilizados,
dando-se prioridades às cores; realizam-se reentelamentos,
limitam-se as reintegrações cromáticas somente às lacunas,
proíbem-se a eliminação de partes do original e de inscrições;
transposições passam a ser realizadas somente nos casos de obras
muito danificadas; o restaurador não pode levar cópias ou qualquer
trabalho para seu ateliê e a circulação no local da restauração
passa a ser restrita; algumas pesquisas científicas começam a ser
realizadas em ateliês; novos critérios são estabelecidos, tais
como, respeito máximo ao original, valorização do suporte,
diminuição das transposições, reintegração ilusionista.
A
Revolução Industrial traz grandes avanços tecnológicos, com a
produção de materiais industrializados. Com o surgimento dos
movimentos “neo”- neoclássico, neogótico -, resgatam-se
movimentos antigos.
Alguns nomes consagram-se nessa época, como
referência a estilos de restauração. Eugène Violet-Le-Duc,
arquiteto, defende a restauração estilística, fazendo reviver o
estilo neogótico; seu projeto baseia-se na busca pelo original e a
perfeição formal dos edifícios deixando de lado a sua história.
John Ruskin valoriza a arquitetura e seus critérios de
conservação/restauração; para ele, o verdadeiro valor do edifício
está nos materiais e na sua historicidade; partidário da
conservação preventiva e da conservação in situ, enfatiza o papel
do ambiente e da luz sobre as esculturas e talhas.
Já a Escola
Italiana, partidária da restauração científica, defende a
consolidação do que ainda existe, condenando a eliminação dos
anexos históricos e preconizando a realização apenas de
intervenções mínimas e reconhecíveis; os laboratórios de
ciências instalam-se dentro dos ateliês de restauração.
No
século XX os critérios e teorias sobre conservação e restauração
de obras de arte são definidos. Surgem questões jurídicas na
defesa do patrimônio e a regulamentação da profissão de
restaurador. Com a arte contemporânea, os procedimentos e teorias da
conservação/restauração são revisados.
Em 1930, iniciam-se o
estudo sistemático da estrutura e a valorização da documentação;
com a Segunda Guerra Mundial, destrói-se parte importante do
patrimônio europeu; a Restauração sai do empirismo e busca bases
científicas; são feitos estudos sobre comportamento mecânico da
pintura sobre tela; o respeito ao original ganha máxima importância;
a intervenção é feita de acordo com a necessidade da obra,
priorizando-se a conservação; desenvolvem-se estudos sobre a
influência do clima na conservação das obras de arte; aparecem
conceitos como Reversibilidade, Estabilidade e Legibilidade; a
Restauração passa a cuidar não só das obras de arte, mas também
dos bens culturais; são criados centros e institutos internacionais
como: o IRPA - Institut Royal do Patrinoine Artistique
(Bruxellas,1937), o ICR - Istituto Central del Restauro (Roma, 1940),
o ICOM - International Council of Museum (Paris,1946), IIC -
International Institut for Conservation (Londres, 1950) e o ICCROM -
Centro Internacional para o Estudo da Conservação e da Restauração
(1956).
Em 1963 Cesare Brandi publica La teoria de la restauración
e, em 1964, a Carta de Veneza estabelece novas regras para a
restauração de monumentos.
Surgem questões jurídicas na defesa
do patrimônio e a regulamentação da profissão de
restaurador.
Hoje, com a arte contemporânea, novas teorias estão
sendo formuladas e os estudos científicos crescem a cada dia por
meio de novas tecnologias voltadas para física, química e biologia
a serviço da conservação e preservação da obra de arte.
É
importante ressaltar que a conservação preventiva da obra de arte é
fundamental para que a mesma não chegue a sofrer intervenções de
restauro.
As obras de arte também envelhecem, e desse modo,
devemos sempre ter cuidados para que ela não sofra com alterações
ambientais, com vandalismos e principalmente com o
esquecimento.
MIGUEL, Ana Maria Macarrón. Historia de la
conservación y la restauración: desde la antigüedad hasta finales
del siglo XIX.”. Madrid: Tecnos, 1995.
24 fevereiro 2012
MARGS restaura arte e história do Rio Grande - Porto Alegre/RS
A desmontagem, proteção e translado de uma obra de arte histórica com
24 metros quadrados pertencente ao acervo do Museu Histórico
Farroupilha de Piratini, exigiu o máximo de técnica, planejamento e
logística. Desmontar e identificar as partes de uma moldura de madeira
nobre, com entalhes feitos a mão e pesando aproximadamente 70 kg,
desmontar a tela do bastidor e proteger a pintura em óleo sobre tela
datada de 1925, embalar o conjunto de forma adequada e transportar para
Porto Alegre, também exige muitos cuidados. Foi preciso reunir e
deslocar para a cidade de Piratini, com a coordenação técnica da
especialista em restauração Naida Maria Vieira Corrêa, profissionais do
Núcleo de Conservação e Restauro do MARGS, encarregados da execução de
sua restauração, estagiários do Curso de Bacharelado em Conservação e
Restauração de Bens Móveis da Universidade Federal de Pelotas, membros
da Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico de Cachoeira do Sul,
responsável pela execução do projeto de restauração, além do apoio de
funcionários da Prefeitura de Piratini e a contratação de uma empresa
especializada nesse tipo de serviço. Toda essa operação foi realizada
nos dias 25, 26 e 27 de janeiro e culminou com a chegada ao torreão do
MARGS no dia 30 de janeiro de 2012.
Do Palácio Piratini para o Museu
Em novembro de 1925, o quadro medindo 6m x 4m, foi exposto no saguão
do Palácio Piratini para a visitação pública. A pesquisa indica ainda
que essa obra estava no Palácio Piratini até 1955, quando em função da
contratação de Aldo Locatelli, para a execução de grandes painéis nas
dependências do Palácio, foi nomeada uma comissão que decidiu pela
transferência das obras de grande porte para o Museu de Piratini. São
elas: a obra de Helios, a tela “A Fuga de Anita” de Dakir Parreiras e o
“Retrato de Bento Gonçalves” de autor não identificado. A transferência
ficou aos cuidados do Secretário de Educação e Cultura, Liberato Salzano
Vieira da Cunha, com o aval do Governador Ildo Meneghetti, coincidindo
com o primeiro ano da morte de Getúlio Vargas.
O mistério da tela
De acordo com a ficha de catalogação da gigantesca obra, o nome do
autor é Helio Xeelinger e seu título “Alegoria, Sentido e Espírito da
Revolução Farroupilha”. No entanto, pesquisas realizadas pela Defender,
revelam que o nome correto do autor é Helios Seelinger e o título da
obra seria “Do Rio Grande para o Brasil”. A pesquisa indica que a obra
teria sido encomendada por Oswaldo Aranha visando representar a formação
de um movimento popular e militar que culminou com a Revolução de 1930.
A tela tem uma alegoria na parte superior em baixo relevo que
representa a inspiração na Revolução Farroupilha. Ainda se procura
identificar algumas personalidades da história do Rio Grande do Sul que
possivelmente estejam representadas no quadro, segundo referências do
autor, são elas: Pedro Vergara, Flores da Cunha, João Neves da Fontoura,
Fábio de Barros, Salgado Filho, Jorge Jobim, Francisco Leonardo Truda,
Oswaldo Aranha e outros. O mistério fica por conta da mudança do nome do
autor e do título da tela.
Uma decisão de governo
A obra de Helios integra um conjunto de oito obras históricas que
receberam a determinação de sua transferência para o Núcleo de
Conservação e Restauro do MARGS por decisão do Secretário de Cultura
Luiz Antonio de Assis Brasil e do governador Tarso Genro. Essa e mais
outras sete telas, foram encontradas em visita a cidade de Piratini no
mês de janeiro de 2011, sem as condições adequadas ao seu valor
histórico e artístico em razão do início da restauração do prédio do
Museu Histórico. Sete telas foram abrigadas na Antiga sede do Governo
Farroupilha, a tela de Helios ficou exposta no “hall” da prefeitura.
Imediatamente o Secretário Assis Brasil com o apoio do governador,
determinou a sua transferência juntamente com duas imagens sacras e a
urna usada para receber os votos durante a eleição de Bento Gonçalves
para a presidência da República Farroupilha, que chegaram ao MARGS em 16
de maio de 2011.
A restauração
Os serviços de restauração pelo Núcleo de Conservação e Restauro,
estão sendo financiados pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, através
do Projeto Restauração de 8 Obras Históricas – Acervo Museu Histórico
Farroupilha no valor de R$ 285.283,75, com o patrocínio exclusivo do
Banco do Estado do Rio Grande do Sul. Fazem parte da equipe técnica
responsável, além da coordenadora Naida, Loreni Pereira de Paula,
Fernanda Tartler Matschinske, Lucimar Ines Predebon e os estagiários da
Universidade Federal de Pelotas, Flavia Silva Faro, Claudia Lacerda,
Fabiana Alphonsin e Pablo Campos Lopez. A previsão de conclusão é
outubro deste ano, dependendo ainda, de um projeto complementar visto
que os orçamentos são de 2008. Estão previstos nesse projeto uma
exposição das obras restauradas, aberta ao público além, do lançamento
de uma publicação com todo o processo utilizado.
Lista das obras
Do Rio Grande para o Brasil (1925) de Helios Seelinger
Fuga de Anita Garibaldi a cavalo (1917, 1918) de Dakir Parreiras
Sem titulo – representa Bento Gonçalves em navio (1915) de Antônio Parreiras
Sem titulo – representa Bento Gonçalves a cavalo (1879) de Guilherme Litran
Retrato de Bento Gonçalves (final do século XIX) de Guilherme Litran
Retrato de Bento Gonçalves (s/data) Autor desconhecido
Retrato de Domingos José de Almeida (s/data) Autor desconhecido
Retrato de Manoel Lucas de Oliveira (s/data) Autor desconhecido
Rethalhado de: Defender (http://www.defender.org.br/)
01 dezembro 2011
Arqueologia da UFPel no Casarão 8 - Pelotas/RS
No dia 25 de novembro, o professor de
arqueologia da UFPel, Pedro Sanches, fez uma visita ao Casarão 8 com o
objetivo de retirar alguns artefatos encontrados pelos funcionários que
trabalham na obra. As peças que não fazem parte da construção são
vestígios arqueológicos, como pedaços de louças, vidros e madeiras
torneadas que testemunham o cotidiano das pessoas que viveram no casarão
e no seu entorno.
O pedido para retirada das peças foi
aprovado pelo diretor responsável pela Reserva Técnica que abriga o
acervo do Casarão 8, na UFPel, e será inventariado e acervado. Antes
disso, elas passarão por procedimentos de conservação nos laboratórios
do curso de Conservação e Restauro e, no futuro, retornarão ao casarão
como peças das exposições de longa e curta duração do Museu
Arqueológico, que será ali implantado.
Além de professor de arqueologia nos
cursos de Museologia e Conservação e Restauro, Pedro Sanches preside a
comissão para implantação do Museu de Antropologia e Arqueologia de
Pelotas nas dependências do Casarão 8.
29 novembro 2011
O Conservador nômade (E-conservation)
Quando
o computador ganhou um lugar permanente em nossas casas, começou uma revolução no trabalho. Mas
a conservação não é uma das profissões que você pode realizar a partir
do seu computador em casa, a menos que você esteja trabalhando em
documentação. Pelo contrário, a conservação tem sido sempre um trabalho que precisa ser feito em outros lugares. Nos tempos modernos, este fenômeno atingiu uma dimensão nunca antes visto.
Muitas vezes nos queixamos dos problemas dos tempos modernos. Não temos grandes revoluções ou guerras mundiais, mas as coisas estão mudando mais do que gostaríamos sem aviso prévio. Nunca foi mais fácil ou mais barato para viajar, assim como parece que nunca foi tão difícil permanecer em um emprego. Mobilidade é a palavra de referência hoje em dia. Contratos de longo prazo são difíceis de se obter. Contratos de curto prazo, e / ou freelancing, estão aqui para ficar e ditar nossas vidas. Agora, é muito comum ter de 35 a 40 anos e passado os últimos 10 a 15 anos pulando de projeto para projeto, tanto no meio acadêmico, no campo de museus ou no setor privado.
Hoje em dia, a mobilidade é considerada como um requisito necessário para o mercado de trabalho moderno. Na conservação podemos contemplar três tipos principais de mobilidade: micro-mobilidade, quando você se move dentro da região onde você mora; macro-mobilidade, quando você se move continuamente em torno de seu país, o que não significa ir para casa, muitas vezes, e inter-mobilidade, quando você muda para outro país de forma permanente ou de longa duração (períodos de 2-5 anos).
Mobilidade é ótimo! Ela permite que você viaje, veja o mundo, e se você não gostar de algo, pode passar para o seu próximo alvo. Mas também não permite que você planeje seu futuro, saiba onde vai estar vivendo em alguns anos, e crie raízes em sua comunidade ou crie uma família, basicamente, não permite que você se estabeleça e fique sossegado.
Esta é a verdadeira natureza da conservação: ir "in situ", onde é necessário, embora você possa transformar isso em "ir a qualquer lugar que você tem a chance de". Todo o conceito inicial é muito atraente, para procurar um lugar melhor, para sempre se mover para o melhor, mas quando o melhor não está disponível e você precisa seguir em frente, porque o seu último trabalho ou projeto está terminado, então ele se transforma em uma questão de sobrevência.
Isto deve ser visto como um sinal dos tempos presentes e não como um grande problema. Como um fator que está moldando a geração real de conservadores-restauradores e que provavelmente vai mudar a maneira como a conservação é feita, eu acredito que merece alguma refleção.
Muitas vezes nos queixamos dos problemas dos tempos modernos. Não temos grandes revoluções ou guerras mundiais, mas as coisas estão mudando mais do que gostaríamos sem aviso prévio. Nunca foi mais fácil ou mais barato para viajar, assim como parece que nunca foi tão difícil permanecer em um emprego. Mobilidade é a palavra de referência hoje em dia. Contratos de longo prazo são difíceis de se obter. Contratos de curto prazo, e / ou freelancing, estão aqui para ficar e ditar nossas vidas. Agora, é muito comum ter de 35 a 40 anos e passado os últimos 10 a 15 anos pulando de projeto para projeto, tanto no meio acadêmico, no campo de museus ou no setor privado.
Hoje em dia, a mobilidade é considerada como um requisito necessário para o mercado de trabalho moderno. Na conservação podemos contemplar três tipos principais de mobilidade: micro-mobilidade, quando você se move dentro da região onde você mora; macro-mobilidade, quando você se move continuamente em torno de seu país, o que não significa ir para casa, muitas vezes, e inter-mobilidade, quando você muda para outro país de forma permanente ou de longa duração (períodos de 2-5 anos).
Mobilidade é ótimo! Ela permite que você viaje, veja o mundo, e se você não gostar de algo, pode passar para o seu próximo alvo. Mas também não permite que você planeje seu futuro, saiba onde vai estar vivendo em alguns anos, e crie raízes em sua comunidade ou crie uma família, basicamente, não permite que você se estabeleça e fique sossegado.
Esta é a verdadeira natureza da conservação: ir "in situ", onde é necessário, embora você possa transformar isso em "ir a qualquer lugar que você tem a chance de". Todo o conceito inicial é muito atraente, para procurar um lugar melhor, para sempre se mover para o melhor, mas quando o melhor não está disponível e você precisa seguir em frente, porque o seu último trabalho ou projeto está terminado, então ele se transforma em uma questão de sobrevência.
Isto deve ser visto como um sinal dos tempos presentes e não como um grande problema. Como um fator que está moldando a geração real de conservadores-restauradores e que provavelmente vai mudar a maneira como a conservação é feita, eu acredito que merece alguma refleção.
04 novembro 2011
ENTREVISTA: John Asmus: Lasers para Conservação de Arte
John
Asmus é um dos cientistas do mundo líderes em conservação,
reconhecido e muitas vezes referido como o avô do laser de
conservação da arte.
Ele
fez história através de suas inovações que contribuíram
maciçamente para o avanço da tecnologia aplicada à conservação
da arte.
Entre
suas notáveis realizações profissionais em conservação nos
últimos anos podem ser chamados obras significativas da arte como a
Monalisa e o Imperador Qin doexército de terracota.
John
Asmus foi físico de pesquisa no Instituto de Fisica Pura e Apliada
na UCSD desde 1973. Ele recebeu um Ph.D. de Caltech em Eletrônica
Quântica e Física, e tem 130 artigos publicados e 25 patentes. Ele
introduziu a holografia, lasers, a imagem ultra-sônica, e
processamento de imagens digitais para a conservação da arte e
adaptados a gás embutido a tecnologia do plasma pinch-to a geração
de intensa radiação ultravioleta para aplicações de preparação
de superfície. Seu trabalho anterior em lasers de alta energia foi
realizado em excimer EUA NOL, Atomic Geral, Labs Maxwell, e SAIC. No
Atomic Geral que participaram do programa espacial ORION nuclear.
O
prêmio Laureate Rolex de Empreendedorismo foi dado a ele em 1990 por
seu trabalho de restauro do Imperador Qin dos guerreiros de terracota
de Xi'an, na China.Ele tem sido um membro das equipes de conservação
de numerosas arte em todo o mundo.
| |
Entrevista de Rui Bordalo, janeiro de 2008
Acesse:
03 novembro 2011
06 outubro 2011
Restauro na Piratinino em fase final - Pelotas/RS
O trabalho de revitalização da caixa d''água da praça Piratinino de
Almeida, em Pelotas, uma das únicas no mundo totalmente de ferro, deve
estar concluído até o início do próximo mês. Houve atraso na entrega das
obras porque o monumento precisou de reparos não previstos no projeto
inicial. O restauro começou em dezembro de 2010 e deveria estar pronto
em junho.
Subsidiada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a revitalização envolve as secretarias de Qualidade Ambiental e de Gestão Urbana. Depois de pronta, a caixa d''água da Piratinino voltará a auxiliar no abastecimento da cidade, além de complementar o patrimônio histórico e turístico da região. "Estamos terminando a obra e a previsão é de que seja inaugurada na última semana de outubro ou no início de novembro. Ela está praticamente pronta, mas, quando se trata de restauro, surgem coisas não previstas e, por isso, tivemos que encomendar mais projetos", diz a arquiteta Helenice Couto. Segundo ela, falta concluir um trecho de pavimentação, pintura, parte elétrica e alguns ajustes.
Subsidiada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a revitalização envolve as secretarias de Qualidade Ambiental e de Gestão Urbana. Depois de pronta, a caixa d''água da Piratinino voltará a auxiliar no abastecimento da cidade, além de complementar o patrimônio histórico e turístico da região. "Estamos terminando a obra e a previsão é de que seja inaugurada na última semana de outubro ou no início de novembro. Ela está praticamente pronta, mas, quando se trata de restauro, surgem coisas não previstas e, por isso, tivemos que encomendar mais projetos", diz a arquiteta Helenice Couto. Segundo ela, falta concluir um trecho de pavimentação, pintura, parte elétrica e alguns ajustes.
O minucioso trabalho
começou com o desmonte das peças degradadas. Depois, foi feita a
demolição de alvenarias construídas fora da originalidade do monumento e
retirado o piso, para não ser comprometido. A caixa d''água de ferro
fundido recebeu jateamento e teve todas as peças danificadas
recuperadas.
03 outubro 2011
Castelo e residência de Simões Lopes devem ser tombados
Dois pedidos formais de tombamento devem chegar em breve ao Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), em Porto Alegre. O
diretor Eduardo Hahn esteve em Pelotas para visitar as construções: o
Castelo Simões Lopes - erguido em 1922 - e a residência, em estilo
neomourisco, que pertenceu a João Simões Lopes Neto, o maior autor
regionalista do Rio Grande do Sul. A proteção legal dos prédios seria
apenas um primeiro passo. Em ambos os casos, a restauração é urgente.
Fotos atuais e antigas, documentos, plantas, dados históricos. O embasamento deve garantir a instrução dos processos. E, mesmo que o tombamento venha, não é a solução, é só o início, alerta o diretor do Iphae. No casarão da rua Santa Tecla o restauro, com verbas públicas ou através das leis de Incentivo à Cultura, precisaria ser resultado de um longo debate para indicar qual seria o uso do imóvel no futuro. Para justificar o investimento público, no entanto, o bem privado teria de ganhar utilização coletiva.
A ligação com Simões
O palacete, erguido na então rua Paissandu, 2, pertenceu a João Simões Lopes Neto, filho de Catão Bonifácio e Teresa. É concreto. Uma certidão, garimpada em cartório pelo simoneano Mogar Xavier, comprova: “A casa foi adquirida por ele em 1896, aos 31 anos, e vendida em 1897, mas não afirmaria que viveu no local”, diz.
Sem uma intervenção rápida, “será uma ruína muito em breve”, afirma o historiador do Iphae, Robson Dutra. Cairiam mais do que forros com ornamentos em madeira recortada, paredes com pintura mural ou a fachada em estilo neomourisco. Poderia se perder parte da história, não apenas da arquitetura.
Castelo Simões Lopes
Claraboia quebrada. Telhado desabado. Piso comprometido. Fungos nas paredes. Aberturas deterioradas. Porta de entrada sem fechadura. É um retrato do Castelo Simões Lopes, construído em 1922 por Augusto Simões Lopes. O cenário é de abandono, apesar de a Guarda Municipal permanecer de plantão no patrimônio adquirido pelo Executivo em 1991.
Nas mãos da prefeitura, a construção projetada pelo arquiteto alemão Fernando Rullman, já foi Casa de Cultura e Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Hoje é síntese de saques e vandalismo. Sem qualquer uso oficial.
Um recurso negociado com o Ministério da Saúde seria insuficiente para cobrir a restauração. “Os cerca de R$ 400 mil daria praticamente só para o telhado e a engenharia da Caixa Econômica, que é o gestor das obras do governo, não aceitou fazer por etapas”, explica a secretária de Saúde, Arita Bergmann. Um outro projeto deve, então, ser elaborado em conjunto com a Secretaria de Cultura (Secult), com vistas a um Memorial da Saúde Mental - sugere Arita.
Por: Michele Ferreira
Rethalhado de http://www.diariopopular.com.br
Fotos atuais e antigas, documentos, plantas, dados históricos. O embasamento deve garantir a instrução dos processos. E, mesmo que o tombamento venha, não é a solução, é só o início, alerta o diretor do Iphae. No casarão da rua Santa Tecla o restauro, com verbas públicas ou através das leis de Incentivo à Cultura, precisaria ser resultado de um longo debate para indicar qual seria o uso do imóvel no futuro. Para justificar o investimento público, no entanto, o bem privado teria de ganhar utilização coletiva.
A ligação com Simões
O palacete, erguido na então rua Paissandu, 2, pertenceu a João Simões Lopes Neto, filho de Catão Bonifácio e Teresa. É concreto. Uma certidão, garimpada em cartório pelo simoneano Mogar Xavier, comprova: “A casa foi adquirida por ele em 1896, aos 31 anos, e vendida em 1897, mas não afirmaria que viveu no local”, diz.
Sem uma intervenção rápida, “será uma ruína muito em breve”, afirma o historiador do Iphae, Robson Dutra. Cairiam mais do que forros com ornamentos em madeira recortada, paredes com pintura mural ou a fachada em estilo neomourisco. Poderia se perder parte da história, não apenas da arquitetura.
Castelo Simões Lopes
Claraboia quebrada. Telhado desabado. Piso comprometido. Fungos nas paredes. Aberturas deterioradas. Porta de entrada sem fechadura. É um retrato do Castelo Simões Lopes, construído em 1922 por Augusto Simões Lopes. O cenário é de abandono, apesar de a Guarda Municipal permanecer de plantão no patrimônio adquirido pelo Executivo em 1991.
Nas mãos da prefeitura, a construção projetada pelo arquiteto alemão Fernando Rullman, já foi Casa de Cultura e Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Hoje é síntese de saques e vandalismo. Sem qualquer uso oficial.
Um recurso negociado com o Ministério da Saúde seria insuficiente para cobrir a restauração. “Os cerca de R$ 400 mil daria praticamente só para o telhado e a engenharia da Caixa Econômica, que é o gestor das obras do governo, não aceitou fazer por etapas”, explica a secretária de Saúde, Arita Bergmann. Um outro projeto deve, então, ser elaborado em conjunto com a Secretaria de Cultura (Secult), com vistas a um Memorial da Saúde Mental - sugere Arita.
Por: Michele Ferreira
Rethalhado de http://www.diariopopular.com.br
10 agosto 2011
Por que preservar, conservar e restaurar?
O texto é parte do Caderno do Professor, do Calendário Museológico produzido
pela Superintendência de Museus do Estado de Minas Gerais, em 2005,
para o trabalho de difusão cultural junto às escolas públicas e particulares do estado.
Gilca Flores de Medeiros
A importância de conservar um objeto que consideramos parte de um patrimônio está no fato deste se constituir registro material da cultura, da expressão artística, da foram de pensar e sentir de uma comunidade em determinada época e lugar, um registro de sua história, dos saberes, das técnicas e instrumentos que utilizava.
Para termos esse registro da cultura é imprescindível a existência de um suporte material, como um objeto, uma construção ou um documento. Mesmo em relação aos bens intangíveis – como tradições orais, festas folclóricas, etc. – é necessário que sejam registrados em algum material: fotos, vídeos, cd e outros. Esses suportes, embora não sejam os bens culturais em si, guardarão seu registro e necessitarão ser igualmente preservados.
O profissional conservador/restaurador atua em três níveis: o da preservação, o da conservação e o da restauração. Somente uma ação integrada poderá oferecer resultados verdadeiros e duradouros, uma vez que de nada adianta, por exemplo, restaurar o interior de uma igreja sem que se consertem as falhas do telhado ou se realizem ações de conscientização da comunidade para reduzir o número de atos de vandalismo.
Para avaliar as condições de uma obra e atuar direta ou indiretamente, em sua preservação/conservação/restauração, o conservador-restaurador deve ter conhecimento de diversas áreas, como História, Física, Química, Artes, Biologia e Geografia, dentre outras e, muitas vezes, trabalhará ao lado de profissionais dessas áreas, já que a interdisciplinaridade torna-se cada vez mais necessária neste campo de atuação.
Preservação, Conservação e Restauração
A Preservação engloba, de maneira mais ampla, todas as ações que beneficiam a manutenção do bem cultural. Se tomarmos como exemplo uma imagem barroca, podemos considerar ações de preservação até mesmo as leis criadas para garantir a integridade do patrimônio, os mecanismos para viabilizar a realização de projetos de restauração, o cuidado com o meio ambiente que circunda o local ou ações como o desvio do trânsito para evitar a trepidação do prédio onde a obra se encontra. Enfim, todas as ações que colaboram para garantir a integridade do bem que se deseja preservar.
A ação de Conservação, embora possa realizar-se diretamente na matéria do objeto, não se limita a ela. A conservação visa interromper os processos de deterioração, conferindo estabilidade à obra. Para esse fim, atua sobre os aspectos que cercam e
influenciam a conservação do objeto, controlando os agentes que podem provocar a deterioração do bem cultural, como os biológicos (cupins, fungos, etc.), atmosféricos (temperatura e umidade), luz (natural, artificial), poluentes e o ser humano (manuseio, acondicionamento e transporte inadequados, vandalismos e roubo). Ao atuar diretamente na obra, enfocará a estabilidade da peça a ser conservada, buscando resolver seus problemas estruturais e recuperando sua integridade.
A Restauração atua sobre um objeto buscando não apenas conferir-lhe estabilidade, mas recuperar, o mais possível, as informações nele contidas. Imagine que, ao ser realizada, uma escultura possua cem por cento das informações nela contidas: sua aparência (cores, forma, textura, brilho), seus materiais constitutivos, etc. Com o passar do tempo, ou pro condições inadequadas de conservação, ou ainda, por atos de vandalismos, a obra pode ter perdido parte de sua matéria ou pintura. Neste caso, a ação de conservação buscará cessar as causas de deterioração e procurará dar estabilidade à obra, enquanto que a restauração irá mais além, buscando aproximar, o mais possível, a obra, estrutural e esteticamente, da ‘quantidade inicial de informações’.
Todo trabalho de restauração deve basear-se em referências contidas na própria obra ou, em alguns casos, em documentação segura sobre a mesma. O respeito ao original é fundamental e delineia os limites das intervenções. Algumas vezes o nível de deterioração de um bem cultural chega a um ponto tão grave, que inviabiliza sua recuperação estética, por falta de referências sobre as quais realizar o trabalho de restauração. O ideal é que todo bem cultural seja mantido em boas condições de conservação, para que não chegue a necessitar de restauração.
Nosso Patrimônio
Mas não é só o patrimônio artístico e histórico que merece cuidado. Todos nós temos à nossa volta um patrimônio que conta nossa história. Se olharmos com atenção em nossa casa, reconheceremos nosso patrimônio familiar: fotos que registram a história da família, objetos, documentos, hábitos, tradições e saberes.
Um instrumento usado por nosso avô, o diploma de nossa formatura, a foto daquele aniversário, um postal que recebemos de um amigo ou a foto de parentes que nem chegamos a conhecer, são exemplos de recordações de vida de nossa família e merecem ser preservados. Para isso, guardamos as fotos em um álbum, cuidamos de não dobrar ou amassar o diploma, limpamos periodicamente os objetos. A preservação desses objetos é a preservação da memória de nossa família e nos permitirá contá-la aos que virão.
A escola também é um patrimônio que precisa ser preservado: o prédio, as carteiras, os livros, etc. O conhecimento contido em um livro é o resultado do trabalho de muitas pessoas, que pesquisaram, desenvolveram teorias e métodos, a fim de facilitar a transmissão do conhecimento.
E quanta coisa os livros nos ensinam! Pequenos cuidados na hora de retirá-los da estante (não puxá-los pela borda superior, mas afastar os livros vizinhos, segurar o livro com firmeza e retirá-lo), ao manuseá-los (não umedecer os dedos com saliva,
não rabiscar ou dobrar páginas) podem significar muito na conservação desse objeto tão precioso. Também a imagem do prédio de uma escola revela muito sobre os valores e o comportamento da comunidade na qual está inserido. O cuidado com as carteiras e salas de aulas pode refletir o grau de identificação e envolvimento dos alunos com sua escola. A mesma atenção devem receber os arquivos da escola e o material que será produzido nas atividades propostas pelo calendário.
É mais fácil compreendermos uma idéia ampla se a assimilamos em nosso cotidiano, nas pequenas coisas. A importância de se preservar o patrimônio que vemos nos museus tem o mesmo significado da preservação de nosso patrimônio familiar e comunitário, apenas com sentido mais ampliado: essas instituições guardam bens significativos para uma cidade, um país ou toda a humanidade.
Para termos esse registro da cultura é imprescindível a existência de um suporte material, como um objeto, uma construção ou um documento. Mesmo em relação aos bens intangíveis – como tradições orais, festas folclóricas, etc. – é necessário que sejam registrados em algum material: fotos, vídeos, cd e outros. Esses suportes, embora não sejam os bens culturais em si, guardarão seu registro e necessitarão ser igualmente preservados.
O profissional conservador/restaurador atua em três níveis: o da preservação, o da conservação e o da restauração. Somente uma ação integrada poderá oferecer resultados verdadeiros e duradouros, uma vez que de nada adianta, por exemplo, restaurar o interior de uma igreja sem que se consertem as falhas do telhado ou se realizem ações de conscientização da comunidade para reduzir o número de atos de vandalismo.
Para avaliar as condições de uma obra e atuar direta ou indiretamente, em sua preservação/conservação/restauração, o conservador-restaurador deve ter conhecimento de diversas áreas, como História, Física, Química, Artes, Biologia e Geografia, dentre outras e, muitas vezes, trabalhará ao lado de profissionais dessas áreas, já que a interdisciplinaridade torna-se cada vez mais necessária neste campo de atuação.
Preservação, Conservação e Restauração
A Preservação engloba, de maneira mais ampla, todas as ações que beneficiam a manutenção do bem cultural. Se tomarmos como exemplo uma imagem barroca, podemos considerar ações de preservação até mesmo as leis criadas para garantir a integridade do patrimônio, os mecanismos para viabilizar a realização de projetos de restauração, o cuidado com o meio ambiente que circunda o local ou ações como o desvio do trânsito para evitar a trepidação do prédio onde a obra se encontra. Enfim, todas as ações que colaboram para garantir a integridade do bem que se deseja preservar.
A ação de Conservação, embora possa realizar-se diretamente na matéria do objeto, não se limita a ela. A conservação visa interromper os processos de deterioração, conferindo estabilidade à obra. Para esse fim, atua sobre os aspectos que cercam e
influenciam a conservação do objeto, controlando os agentes que podem provocar a deterioração do bem cultural, como os biológicos (cupins, fungos, etc.), atmosféricos (temperatura e umidade), luz (natural, artificial), poluentes e o ser humano (manuseio, acondicionamento e transporte inadequados, vandalismos e roubo). Ao atuar diretamente na obra, enfocará a estabilidade da peça a ser conservada, buscando resolver seus problemas estruturais e recuperando sua integridade.
A Restauração atua sobre um objeto buscando não apenas conferir-lhe estabilidade, mas recuperar, o mais possível, as informações nele contidas. Imagine que, ao ser realizada, uma escultura possua cem por cento das informações nela contidas: sua aparência (cores, forma, textura, brilho), seus materiais constitutivos, etc. Com o passar do tempo, ou pro condições inadequadas de conservação, ou ainda, por atos de vandalismos, a obra pode ter perdido parte de sua matéria ou pintura. Neste caso, a ação de conservação buscará cessar as causas de deterioração e procurará dar estabilidade à obra, enquanto que a restauração irá mais além, buscando aproximar, o mais possível, a obra, estrutural e esteticamente, da ‘quantidade inicial de informações’.
Todo trabalho de restauração deve basear-se em referências contidas na própria obra ou, em alguns casos, em documentação segura sobre a mesma. O respeito ao original é fundamental e delineia os limites das intervenções. Algumas vezes o nível de deterioração de um bem cultural chega a um ponto tão grave, que inviabiliza sua recuperação estética, por falta de referências sobre as quais realizar o trabalho de restauração. O ideal é que todo bem cultural seja mantido em boas condições de conservação, para que não chegue a necessitar de restauração.
Nosso Patrimônio
Mas não é só o patrimônio artístico e histórico que merece cuidado. Todos nós temos à nossa volta um patrimônio que conta nossa história. Se olharmos com atenção em nossa casa, reconheceremos nosso patrimônio familiar: fotos que registram a história da família, objetos, documentos, hábitos, tradições e saberes.
Um instrumento usado por nosso avô, o diploma de nossa formatura, a foto daquele aniversário, um postal que recebemos de um amigo ou a foto de parentes que nem chegamos a conhecer, são exemplos de recordações de vida de nossa família e merecem ser preservados. Para isso, guardamos as fotos em um álbum, cuidamos de não dobrar ou amassar o diploma, limpamos periodicamente os objetos. A preservação desses objetos é a preservação da memória de nossa família e nos permitirá contá-la aos que virão.
A escola também é um patrimônio que precisa ser preservado: o prédio, as carteiras, os livros, etc. O conhecimento contido em um livro é o resultado do trabalho de muitas pessoas, que pesquisaram, desenvolveram teorias e métodos, a fim de facilitar a transmissão do conhecimento.
E quanta coisa os livros nos ensinam! Pequenos cuidados na hora de retirá-los da estante (não puxá-los pela borda superior, mas afastar os livros vizinhos, segurar o livro com firmeza e retirá-lo), ao manuseá-los (não umedecer os dedos com saliva,
não rabiscar ou dobrar páginas) podem significar muito na conservação desse objeto tão precioso. Também a imagem do prédio de uma escola revela muito sobre os valores e o comportamento da comunidade na qual está inserido. O cuidado com as carteiras e salas de aulas pode refletir o grau de identificação e envolvimento dos alunos com sua escola. A mesma atenção devem receber os arquivos da escola e o material que será produzido nas atividades propostas pelo calendário.
É mais fácil compreendermos uma idéia ampla se a assimilamos em nosso cotidiano, nas pequenas coisas. A importância de se preservar o patrimônio que vemos nos museus tem o mesmo significado da preservação de nosso patrimônio familiar e comunitário, apenas com sentido mais ampliado: essas instituições guardam bens significativos para uma cidade, um país ou toda a humanidade.
03 agosto 2011
Ministério Público Federal quer paralisação das obras do Maracanã
O Ministério Público Federal entrou nesta segunda-feira na
Justiça com uma ação civil pública pedindo a paralisação imediata das
obras de reforma da marquise do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, no Rio de Janeiro. A ação solicita ainda a reconstrução da marquise antiga, que está sendo demolida.
O
Ministério Público pede que a Justiça aplique uma multa diária de R$
500 mil caso a Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop) e o Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) continuem com a obra. Outra multa diária, de R$ 1 milhão, é solicitada caso a marquise não seja reconstruída.
O
Ministério Público baseia a ação no fato de que o Maracanã ser tombado
pelo Iphan em 2000, o que impediria modificações radicais, como as que
estão sendo feitas para a Copa do Mundo de 2014.
O
procurador Maurício Andreiuolo, autor da ação, também quer que o Iphan
e a Emop reedifiquem as partes já demolidas com a adequação da obra
à preservação da marquise – sob pena de multa diária de R$ 1 milhão.
Caso não seja possível a reconstrução por questões técnicas, o MPF pede
que seja construída nova marquise similar à atual com a condição de
efeito suspensivo caso a obra não atenda às especificações do bem
tombado.
A
Emop informou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda não foi
notificada sobre a ação do Ministério Público. Já o Iphan, que autorizou
as modificações no Maracanã, discorda do MPF.
Segundo a assessoria de imprensa do instituto, o Maracanã não foi tombado pela arquitetura,
mas pela importância etnográfica, isto é, por ser palco de uma
manifestação cultural brasileira. Sendo assim, não há motivo para
impedir as mudanças no estádio, por mais radicais que sejam.
Para
o Iphan, as alterações do estádio são importantes para que ele continue
sendo usado pela população e, assim, justifique seu tombamento
etnográfico. A assessoria de imprensa do órgão lembra que já foram
feitas outras modificações importantes no estádio em anos anteriores,
como o fim da geral e a colocação de cadeiras nas arquibancadas.
Rethalhado de http://www.jb.com.br
21 julho 2011
Professora Andréa Bachettini da UFPel é eleita presidente da ACOR-RS
A professora do Departamento de Museologia e Conservação e Restauro
do Instituto de Ciências Humanas da UFPel, Andréa Lacerda Bachettini,
foi eleita presidente da Associação dos Conservadores e Restauradores de
Bens Culturais do Rio Grande do Sul (ACOR-RS), para o biênio 2011-2013.
Fundada em 8 de julho de 2003, a ACOR-RS é uma sociedade civil, sem
fins lucrativos, espaço de discussão alicerçado na ética e na construção
de propostas para dignificar a prática da conservação e restauração e
proteger, como órgão da categoria, os profissionais conservadores e
restauradores de bens culturais do Estado, como está previsto no seu
estatuto.
A eleição aconteceu na última sexta-feira(15), durante Assembleia
Geral da entidade, realizada no auditório do Museu de Arte do Rio Grande
do Sul - Ado Malagoli - (Margs), em Porto Alegre.
A assembléia foi conduzida pela presidente do biênio 2009-2011,
Lorete Mattos (restauradora de obras raras da Biblioteca da UFRGS) e
pela secretária Loreni de Paula (restauradora do Margs). Foram
apresentados o relatório de atividades e a prestação de contas da última
gestão. A posse está prevista para 30 dias após a eleição.
Nova diretoria da ACOR-RS, biênio 2011-2013:
Presidente: Andréa Lacerda Bachettini, DMCOR/ICH/UFPel; Vice- Presidente: Naida Maria Vieira Corrêa, Margs, Sedac, RS/Restauratus; 1° Secretária: Loreni Pereira de Paula, Margs/Sedac,RS; 2° Secretária: Ângela Macalossi; Mestranda/UFPel; Tesoureiro: Fellippe de Moraes, Autônomo. Conselho Consultivo: Mariana Gaelzer Werthaimer, Autônoma; Daniele Baltz da Fonseca, DMCR/ICH/UFPel; Silvana Bojanoski, DMCR/ICH/UFPel; Denise Stumvoll, MCS/ Sedac, RS; Roberto Luiz Sawiztki, Iphae/ Sedac, RS. Conselho Fiscal: Vera Zugno, Autônoma; Luis Fernado Rhoden, IPhan,RS; Keli Cristina Scolari, DMCR/ICH/UFPel. Conselho Técnico: Lorete Mattos, UFRGS.
Presidente: Andréa Lacerda Bachettini, DMCOR/ICH/UFPel; Vice- Presidente: Naida Maria Vieira Corrêa, Margs, Sedac, RS/Restauratus; 1° Secretária: Loreni Pereira de Paula, Margs/Sedac,RS; 2° Secretária: Ângela Macalossi; Mestranda/UFPel; Tesoureiro: Fellippe de Moraes, Autônomo. Conselho Consultivo: Mariana Gaelzer Werthaimer, Autônoma; Daniele Baltz da Fonseca, DMCR/ICH/UFPel; Silvana Bojanoski, DMCR/ICH/UFPel; Denise Stumvoll, MCS/ Sedac, RS; Roberto Luiz Sawiztki, Iphae/ Sedac, RS. Conselho Fiscal: Vera Zugno, Autônoma; Luis Fernado Rhoden, IPhan,RS; Keli Cristina Scolari, DMCR/ICH/UFPel. Conselho Técnico: Lorete Mattos, UFRGS.
04 julho 2011
TEORIAS DA RESTAURAÇÃO ( Cesare Brandi)
Cesare Brandi (1906-1988) é um dos principais nomes do restauro moderno. Em 1966 escreveu a Teoria da restauração, obra baseada nas diretrizes da Carta de Atenas, muitas vezes classificada como um texto teórico e pouco prático.
Os teóricos do século XIX e início do XX se empenharam em classificar o que deve ou não deve ser restaurado com o objetivo de evitar que as intervenções pudessem causar mais danos do que o próprio tempo. Pensavam o restauro como uma ciência exata, com regras e métodos cientificamente determinados, prevalecendo o caráter histórico das obras.
Após a Segunda Guerra Mundial, diversos monumentos foram destruídos. Nesse contexto, Brandi teve grande destaque, participando do restauro de inúmeras obras de arte; diante da falta de sistematização de procedimentos, começou a pensar no que seria sua Teoria da restauração, com o objetivo de delimitar regras que embasassem a prática do restaurador.
Diante de tamanha destruição, o caráter artístico não pôde mais ser colocado em segundo plano, já que a fruição da obra-de-arte está relacionada à observação de sua imagem figurativa somada ao caráter histórico. É este aspecto que diferencia a obra-de-arte de outros produtos da ação humana. Brandi afirmava que “restaura-se somente a matéria da obra-dearte” (BRANDI, 2004, p. 31), já que o restaurador só atuará nesse nível e uma obra se manifesta por meio da matéria que, por sua vez, é o que degrada.
Conhecendo o objeto já em estado deteriorado, não é possível ter certeza de como havia sido quando novo, sendo necessária uma intervenção baseada no estado em que se encontra quando restaurado e não no que se pensa ter sido seu “estado original”, o que levaria o espectador a incorrer em um erro de interpretação. Brandi chamou isso de “falso histórico”. Para Brandi, “(...) a restauração deve visar ao restabelecimento da unidade potencial da obra-de-arte, desde que isso seja possível, sem cometer um falso artístico ou um falso histórico, e sem cancelar nenhum traço da passagem da obra-de-arte no tempo” (BRANDI, 2004, p. 33). Segundo suas teorias, as intervenções deveriam se guiar por uma crítica de valor em relação ao significado histórico do objeto, limitada pelo estado físico em que se encontra a obra-de-arte e sustentada por um vasto conhecimento técnico, estilístico, filosófico e histórico, não podendo depender do gosto particular do restaurador. Ele estabeleceu ainda que as intervenções deveriam tornar os acréscimos facilmente reconhecíveis, mesmo para um leigo, e que fossem reversíveis, permitindo sua retirada em caso de uma eventual intervenção futura.
A principal marca da obra de Brandi é o rigor crítico-cultural que situa o ato de restauro como responsável pelas futuras interpretações estilísticas e históricas da obra-de-arte. Se for executada sem critérios, a restauração pode causar danos à obra que irão perpetuar-se por várias gerações.
A partir dessas teorias, a preservação do patrimônio cultural, em suas diversas formas e aspectos, consolidou seu espaço na sociedade contemporânea, contribuindo para a democratização no acesso e na fruição da cultura.
Por CHRISTIANA ARRUDA LEE DA ROCHA em Monografia "O LIVRO COMO OBRA-DE-ARTE:
CRITÉRIOS TEÓRICOS PARA CONSERVAÇÃO DE OBRAS RARAS" - http://www.bn.br/portal/arquivos/pdf/ChristianaRocha.pdf - Rio de Janeiro / Brasil 2008
Os teóricos do século XIX e início do XX se empenharam em classificar o que deve ou não deve ser restaurado com o objetivo de evitar que as intervenções pudessem causar mais danos do que o próprio tempo. Pensavam o restauro como uma ciência exata, com regras e métodos cientificamente determinados, prevalecendo o caráter histórico das obras.
Após a Segunda Guerra Mundial, diversos monumentos foram destruídos. Nesse contexto, Brandi teve grande destaque, participando do restauro de inúmeras obras de arte; diante da falta de sistematização de procedimentos, começou a pensar no que seria sua Teoria da restauração, com o objetivo de delimitar regras que embasassem a prática do restaurador.
Diante de tamanha destruição, o caráter artístico não pôde mais ser colocado em segundo plano, já que a fruição da obra-de-arte está relacionada à observação de sua imagem figurativa somada ao caráter histórico. É este aspecto que diferencia a obra-de-arte de outros produtos da ação humana. Brandi afirmava que “restaura-se somente a matéria da obra-dearte” (BRANDI, 2004, p. 31), já que o restaurador só atuará nesse nível e uma obra se manifesta por meio da matéria que, por sua vez, é o que degrada.
Conhecendo o objeto já em estado deteriorado, não é possível ter certeza de como havia sido quando novo, sendo necessária uma intervenção baseada no estado em que se encontra quando restaurado e não no que se pensa ter sido seu “estado original”, o que levaria o espectador a incorrer em um erro de interpretação. Brandi chamou isso de “falso histórico”. Para Brandi, “(...) a restauração deve visar ao restabelecimento da unidade potencial da obra-de-arte, desde que isso seja possível, sem cometer um falso artístico ou um falso histórico, e sem cancelar nenhum traço da passagem da obra-de-arte no tempo” (BRANDI, 2004, p. 33). Segundo suas teorias, as intervenções deveriam se guiar por uma crítica de valor em relação ao significado histórico do objeto, limitada pelo estado físico em que se encontra a obra-de-arte e sustentada por um vasto conhecimento técnico, estilístico, filosófico e histórico, não podendo depender do gosto particular do restaurador. Ele estabeleceu ainda que as intervenções deveriam tornar os acréscimos facilmente reconhecíveis, mesmo para um leigo, e que fossem reversíveis, permitindo sua retirada em caso de uma eventual intervenção futura.
A principal marca da obra de Brandi é o rigor crítico-cultural que situa o ato de restauro como responsável pelas futuras interpretações estilísticas e históricas da obra-de-arte. Se for executada sem critérios, a restauração pode causar danos à obra que irão perpetuar-se por várias gerações.
A partir dessas teorias, a preservação do patrimônio cultural, em suas diversas formas e aspectos, consolidou seu espaço na sociedade contemporânea, contribuindo para a democratização no acesso e na fruição da cultura.
Por CHRISTIANA ARRUDA LEE DA ROCHA em Monografia "O LIVRO COMO OBRA-DE-ARTE:
CRITÉRIOS TEÓRICOS PARA CONSERVAÇÃO DE OBRAS RARAS" - http://www.bn.br/portal/arquivos/pdf/ChristianaRocha.pdf - Rio de Janeiro / Brasil 2008
30 junho 2011
LEIA ON LINE: DA RUINA AO EDIFICIO: NEOGOTICO, REINTERPRETAÇAO E PRESERVAÇAO DO PATRIÔNIO Por Cristina Meneguello
O presente trabalho, ao estudar o revival gótico e o medievalismo
presentes na história, na arquitetura e nas artes da Inglaterra do
século XIX, examina as estratégias de interpretação do passado histórico
presentes na cidade industrial. Analisando o paradigma da cidade de
Manchester como a cidade industrial por excelência, este trabalho
observa a criação de um discurso sobre o passado local, intensificado
quando da edificação da nova prefeitura da cidade e das escavaçóes das
ruínas romanas em sua região central. Procede-se a uma análise do
movimento neogótico, a partir da historiografia da época e posterior,
questionando as idéias de
sobrevivência, de revival e de historicismo na arquitetura. Centrando-se
nas figuras de A.W.N.Pugin, John Ruskin e William Morris, o presente
trabalho observa identidades entre o revival e o movimento Arts and
Crafts, especialmente na questão do ornamento e da celebração da
habilidade do artífice. Por fim, considerando-se o neogótico e o
medievalismo em sua forma mais ampla, oferece-se
uma explicação que se move em duas frentes: a criação das cidades de
industriais e das cidades-jardim entendidas como um retorno à idéia de
comunidade medievalizada que projeta o passado para o futuro; e o
surgimento das primeiras sociedades de preservação do patrimônio na
Inglaterra, atribuindo significados históricos à sua aversão ao restauro
dos edificios e à sua defesa do passado
tangível das ruínas, as quais indicam a permanência do passado no
presente.
LEIA ON LINE EM : http://tinyurl.com/62o79nq
21 junho 2011
Teoria da conservação e do restauro
Breve história da teoria da conservação e do restauro
Eduarda Luso
Escola Sup. de Tec. e Gestão, Instituto Politécnico de Bragança, Portugal
Paulo B. Lourenço
Universidade do Minho, Guimarães, Portugal
Manuela Almeida
Universidade do Minho, Guimarães, Portugal
Eduarda Luso
Escola Sup. de Tec. e Gestão, Instituto Politécnico de Bragança, Portugal
Paulo B. Lourenço
Universidade do Minho, Guimarães, Portugal
Manuela Almeida
Universidade do Minho, Guimarães, Portugal
Os monumentos sofrem as consequências das condições atmosféricas e dos diferentes usos sociais que gerações lhe atribuem ao longo dos tempos. Ainda que “restaurar” signifique repor em bom estado algo que perdeu as suas qualidades originais, a aplicação prática deste conceito não é simples. Tal como houve ao longo dos séculos uma evolução e alterações nos estilos usados na arquitectura, com aplicação de novos materiais, novas técnicas de construção e fundamentalmente novas correntes artísticas e arquitectónicas, o restauro também sofreu mutações, com mais intensidade a partir do século XIX. Da mesma forma, a noção de património abarca hoje consensualmente também pequenos edifícios, espaços envolventes, construções rurais e centros urbanos históricos de cidades e vilas.
LEIA MAIS CONTINUA EM
http://www.civil.uminho.pt/cec/revista/Num20/Pag%2031-44.pdf
10 maio 2011
Entrevista com a aluna do curso conservação e restauro Mara Lúcia da UFPel - Pelotas/RS
O blog entrevistou a aluna Mara Lúcia
de Vasconcelos, que foi contemplada com a bolsa Luso-brasileira
Santander Universidades, com isso ela teve a oportunidade de cursar um
semestre de conservação e restauro na Universidade Católica Portuguesa,
na cidade do Porto em Portugal. Mara nos falou um pouco de sua
experiência adquirida no pais, no qual ela mesma diz, ser uma das
referências mundiais nas áreas de conservação e restauro e Patrimônio
Cultural. Confira!
Blog – Quais foram às diferenças mais marcantes entre a UFPEL e a universidade que você fez seu intercâmbio?
Blog – Como você conseguiu o intercâmbio para a universidade em Portugal?
Mara – Consegui o
intercâmbio através de um processo seletivo organizado pelo Departamento
de Intercâmbio e Programas Internacionais da UFPel (DIPI) para
preencher as vagas oferecidas pelo Programa de Bolsas Luso-Brasileiras
Santander Universidades. Escolhi como destino a Universidade Católica
Portuguesa, na cidade do Porto, e após as etapas de análise do
currículo, plano de estudos e carta de intenções e da entrevista, fui
então selecionada.
Blog – Quais
foram às áreas da conservação e restauro estudadas em que você mais
aprofundou ou direcionou seus estudos nesta experiência? Como foi a
receptividade da instituição?
Mara – A área na qual
mais me aprofundei foi a dos materiais orgânicos, mais especificamente
madeira. Além de cursar disciplinas relativas a este material, como História das Artes da Madeira – Talha e Conservação e Restauro de Mobiliário,
tive a oportunidade de acompanhar uma professora da área diariamente na
oficina do curso. O convite feito pela professora e a disponibilidade
em ensinar exemplificam bem o tratamento que recebi na UCP. Todos,
colegas e docentes, me receberam muito bem e com certeza tornaram esta
experiência ainda melhor.
Blog – De que forma este intercâmbio contribuiu para a tua formação?
Mara – A oportunidade de
estudar fora do país contribui de forma muito positiva para a formação
acadêmica, profissional e pessoal. O intercâmbio foi de extrema
importância para a consolidação de conhecimentos e enriquecimento do
currículo. O contato com as diferentes disciplinas, projetos,
professores e autores trouxe qualificação diferenciada para minhas
atividades acadêmicas e profissionais.
“Em relação ao ensino, acho que estamos muito bem, pois não tive nenhuma dificuldade de acompanhar as aulas e os conteúdos, e me senti bem preparada em todos os momentos.”
Blog – No teu
ponto de vista, qual a importância para o nosso curso de conservação e
restauro ter uma relação com o curso de Portugal?
Mara – Acho que, para
qualquer instituição de ensino, a troca de informações com outras
instituições é sempre muito proveitosa, e deve ser estimulada. Portugal é
uma das referências mundiais nas áreas de Conservação e Restauro e
Patrimônio Cultural, e essa qualidade se reflete nas instituições de
ensino e nos respectivos cursos. Manter uma relação com o curso da UCP
de Portugal é extremamente interessante para o nosso curso, pois
possibilita o intercâmbio de informações e a realização de projetos em
parceria.
Blog – Você percebe diferença na visão que tem Portugal sobre a conservação e o restauro, em relação ao Brasil?
Mara – Ao contrário do
Brasil, Portugal já possui tradição na área. Existe um mercado de
trabalho estabelecido, muitas empresas especializadas em Conservação e
Restauro, ou seja, existe a profissionalização, da qual muitas vezes
sentimos falta no Brasil. A própria postura dos alunos dentro da
universidade já é muito profissional.
Blog – Quais foram às diferenças mais marcantes entre a UFPEL e a universidade que você fez seu intercâmbio?
Mara – Acho que a
diferença mais marcante é relativa à infraestrutura, não somente pelo
fato da universidade de destino se tratar de uma instituição privada,
mas também pelas diferenças gerais entre universidades portuguesas e
brasileiras. No caso específico da UCP, o curso da Conservação e
Restauro possui salas e equipamentos muito próximos do ideal, e um
prédio que foi construído com a finalidade de abrigar o curso. Ainda
assim, em relação ao ensino, acho que estamos muito bem, pois não tive
nenhuma dificuldade de acompanhar as aulas e os conteúdos, e me senti
bem preparada em todos os momentos.
Blog – Você pretende voltar a Europa para continuar seus estudos?
Mara – O intercâmbio foi também uma maneira de estabelecer contatos relativos
à pós-graduação. Pude acompanhar uma aula do Mestrado em Conservação de
Bens Culturais da UCP, a convite de um professor, e assim já me
aproximar um pouco deste projeto.
19 abril 2011
Sem conservação adequada, réplica da Estátua da Liberdade da Vila Kennedy ameaça cair - Rio de Janeiro
A mais antiga versão brasileira da Estátua da Liberdade,
instalada em uma praça na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio, está prestes a
cair - e não será por obra de terroristas antiamericanos. Sem
conservação adequada, a escultura exibe rachaduras e infiltrações, como
mostra o leitor Alex Belchior.
"A estátua da Liberdade da Vila Kennedy mostra a triste realidade
dos monumentos da Zona Oeste. Nenhum deles foi recuperado pela
prefeitura", afirmou o internauta, que recomenda reparos urgentes.
Produzida pelo mesmo artista da obra americana, o francês
Frédéric Auguste Bartholdi, a escultura foi doada ao então governador
Carlos Lacerda pelo comendador José Ferreira da Rocha Paranhos para
marcar a inauguração da Vila Kennedy. O bairro foi criado para abrigar
moradores de 27 favelas desapropriados pelo lacerdismo. As obras
receberam investimentos dos EUA e, por esse motivo, o protótipo foi
posto na entrada do complexo residencial, que ainda foi batizado com o
nome de uma das famílias de políticos mais tradicionais daquele país.
Segundo o professor do Instituto de Geografia da Uerj e especialista
em História do Rio, João Batista Melo, a estátua é um símbolo do
posicionamento político do Brasil em relação ao comunismo.
- A Vila Kennedy foi um presente dos EUA para o país. A intenção
do governo Kennedy era de garantir que os países latinoamericanos se
posicionassem a favor do capitalismo, já que Cuba tinha acabado de
apoiar a extinta União Soviética. Para isso, firmaram acordos,
garantindo dinheiro. A escultura representou muito nesse momento de
definições - esclareceu Melo.
A Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos
(Seconserva) informou que já está em estudo, por meio da Gerência de
Monumentos e Chafarizes, um projeto para revitalização da obra, previsto
para ser implementado ainda este ano.
Retalhado do site http://oglobo.globo.com/
08 abril 2011
39 anos da carta do restauro
Fazem 39 anos que o Ministério da Instrução Pública da Itália divulgou através da circular número 117, de 6 de abril de 1972, o documento sobre restauração para que todos se atenham, escrupulosa e obrigatoriamente, em todas as
intervenções de restauração em qualquer obra de arte. (Andrade, Soraia - 2002)
A Carta de Restauro (MIP, 1972), que reforça que a obra de arte abrange qualquer época, e tem grande repercussão no Brasil. Por esta carta, abre-se um leque de opções, principalmente, ao reforçar seu uso na lógica sócio-espacial presente. Para tanto, institui que deve ser feito projeto para a restauração de uma obra arquitetônica após exaustivo estudo, devendo contemplar diversos pontos de vista. Assim, espera-se que se estabeleça a análise de sua posição no contexto territorial ou no tecido urbano, dos aspectos tipológicos, das elevações e qualidades formais, dos sistemas e caracteres construtivos, etc., assim como dos eventuais acréscimos ou modificações (MIP, 1972).
A pergunta que fica, será que ela é seguida "escrupulosamente" a risca?
A pergunta que fica, será que ela é seguida "escrupulosamente" a risca?
Leia a carta na integra em http://www.icomos.org.br/cartas/Carta_do_Restauro_1972.pdf
14 março 2011
Conferência em Portugal com Prof. Andréa Lacerda Bachettini do Curso de Conservação e Restauro da Universidade Federal de Pelotas
A professora do Curso de Conservação e Restauro da Universidade Federal
de Pelotas (UFPel), Andréa Lacerda Bachettini, estará levando seu
talento para além-mar. Ela foi selecionada para apresentar um trabalho
sobre o restauro do mobiliário do Museu da Baronesa durante a XVI
Conferência Trienal do Conselho Internacional de Museus (Comitê de
Conservação), que este ano será de 19 a 23 de setembro, em Lisboa. A
conferência debaterá o papel da conservação, relacionando patrimônio e
identidade cultural. Este, é o maior evento na área de conservação e
restauração e acontece a cada três anos, quando se reúnem profissionais
do mundo inteiro. Na semana seguinte ela segue para o Porto, onde
participa do I Encontro Luso Brasileiro de Conservação e Restauro,
realizado na Universidade Católica do Porto. A bela estará apresentando o
Curso de Conservação e Restauro da UFPel e palestrando sobre
Conservação e Restauração de Pinturas.
Rethalhado do Diário Popular
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