CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE BENS CULTURAIS

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25 abril 2012

Kamikoya, a paixão pelo papel artesanal washi


O holandês Rogier Uitenboogaart trabalhava numa empresa de encadernação artesanal de livros em seu país quando teve a oportunidade de ver pela primeira vez uma folha de washi, o papel japonês. Ele ficou encantado com a qualidade, textura e transparência da peça e resolveu viajar ao Japão para pesquisar sobre essa milenar técnica nipônica.

Em 1980, Rogier passou a percorrer as principais regiões japonesas onde existia a tradição de produção de
washi. Ele relembra que “conforme aprofundava a pesquisa, ficava cada vez mais fascinado porque descobri que todo o processo da confecção do papel estava intimamente relacionada com outros elementos culturais e também muito ligado com a natureza, já que utiliza a casca do caule de alguns tipos de plantas para produzir a fibra. Foi uma surpresa porque era diferente do papel artesanal europeu, que é feito reciclando tecidos de algodão”.

Depois de um ano de pesquisa, ele decidiu viver no Japão para trabalhar com o
washi e escolheu a província de Kochi para morar. Desde antigamente até hoje, ela é a maior produtora do país da matéria-prima para a fabricação do papel tradicional, ou seja, das plantas kōzo e mitsumata, das quais se extrai a fibra.

Rogier produz o
washi com uma técnica antiga, que já está deixando de ser praticada no Japão, mas que ele considera natural e ecológica. O próprio se encarrega de todo o processo produtivo, desde o cultivo das plantas que fornecerão a fibra. Atualmente, 70% da matéria-prima usada para fazer washi é importada de outros países e a produção no Japão em larga escala se tornou inviável economicamente. Ele também faz questão de não usar nenhum produto químico ou poluente. As folhas de washi são muito usadas para a produção de artesanato e para a decoração de interiores e revestimento de parede. Rogier também confecciona lustres com o papel, colando em armações que faz com os cipós que ele mesmo coleta na floresta.

Recuperar a tradição

Rogier, primeiramente, residiu na cidade de Ino e depois, em 1992, transferiu-se para Yusuhara, onde, posteriormente, desenvolveu um projeto junto com seis famílias de agricultores para recuperar a antiga tradição da região como produtora das plantas para fazer washi.
Atualmente, as montanhas estão tomadas pelo reflorestamento de sugi (cedro), mas, até algumas décadas atrás, o povo cultivava as altas e íngremes encostas com plantas comestíveis e também com kōzo e mitsumata. Esta última tinha grande importância econômica porque era adquirida pelo governo para confeccionar as cédulas de dinheiro.

Rogier conta com orgulho que “neste ano, o grupo plantou mil pés de
mitsumata. O projeto também tem como objetivo oferecer alternativa de trabalho e renda para os moradores locais”. A comunidade onde ele reside fica longe da cidade, isolada no fundo de um vale. Faça o seu papel
Em 2006, a atividade com a comunidade foi incrementada com a inauguração de uma oficina de papel e pousada, chamada Kamikoya. Os ingredientes utilizados na refeição da pousada são fornecidos pelos próprios agricultores que participam do projeto.

Os visitantes, mesmo não sendo hóspedes, podem participar de cursos de produção de papel, desde experimentais até avançados.


Além da produção do
washi, os cursos incluem a identificação das plantas utilizadas para tirar a fibra, que estão plantadas próximas da oficina, e coleta das folhas e ramos que servirão para misturar com a polpa e decorar o papel.




Rethalahado de http://curtindoojapao.com
Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo


10 janeiro 2012

RESENHA: CONSERVANDO PREVIAMENTE PARA GARANTIR UM FUTURO PATRIMONIAL

FRONER, YACY-ARA; CRUZ SOUZA, LUIZ ANTÔNIO. Tópicos em Conservação Preventiva-3 - Preservação de bens patrimoniais: Conceitos e critérios. Belo horizonte: Escola de belas artes − UFMG, 2008.


      Para que nossos bens culturais não desapareçam e para também garantir a eles uma boa condição de sobrevivência com uma longa vida é que surgiu a conservação preventiva, nada mais que a adoção de medidas que visam com antecedência controlar a deterioração do nosso patrimônio assim garantindo-lhes melhores condições. Com políticas de preservação e sensibilizando quem tem acessos a esses bens, desde o público em geral passando por funcionários e até mesmo profissionais técnicos da área, é que criaremos uma melhor condição de existência dos nossos bens.
      “Conhecimento é poder!” “O desconhecimento é o maior inimigo de uma instituição que abriga acervos.”  Estas entre outras, são as frases que encontramos no livro de Yacy-Ara Froner e Luiz Antônio Cruz Souza. Tópicos em Conservação Preventiva-3, aborda conceitos e critérios para a proteção de bens culturais, em 21 paginas os autores dividem em 3 tópicos principais como significado, restauração e um enfoque sistemático para a conservação preventiva. Yacy-Ara Froner, especialista em restauração pelo CECOR e em conservação de acervos pelo The Getty Conservation Institute, atua como consultora e pesquisadora na área de conservação preventiva de acervos museológicos. Membro do ICOM, ABRACOR e ANPAP e Atualmente, é professora adjunto da Escola de Belas Artes – UFMG, por onde essa obra foi lançada juntamente com Luiz Antônio Cruz Souza, também professor UFMG do centro de conservação e restauração de bens culturais móveis, com várias pesquisas em andamento entre elas “Conservação Preventiva de Bens Culturais”. Nos introduzindo na obra, os autores nos conscientizam que o ato de preservar não é um simples prazer de cientistas e pessoas cultas. Exposições,  pesquisas e restauro de bens culturais quem paga somos nós mesmos como sociedade e deveríamos ser os primeiros a se beneficiar, ainda nos deixa claro que o fato da preservação está ligada a conceitos de valor, poder político e econômico,  nos alerta sobre a ética que forma os balizadores das ações preservacionistas. As instituições precisam de verbas e para isso devem apresentar projetos que mostrem suas atuações e sua representatividade na sociedade mostrando um motivo para a sua existência, se torna indispensável internamente um plano diretor para vários tipos de ações. O que já podemos notar é que bibliotecas já estão se adaptando a novas mídias e também concentrando esforços na organização de seus acervos com isso deixando aquisições dependerem apenas de verbas externas. Dentro de métodos a serem aplicados na conservação deve se estar atento a quais itens e objetos serão de maior importância e criar critérios para essa avaliação, não podendo nessa hora deixar de atribuir valores a peças do acervo. Ainda os autores avaliam as implicações dos processos de restauração, fazendo-nos pensar se o objeto deve ou não ter uma intervenção propriamente dita ou uma intervenção preventiva, ou seja, por exemplo monitorar a temperatura ou umidade relativa, para isso ter conhecimentos dos processos degenerativos dos materiais se torna importante. Avaliando critérios de conservação preventiva podemos relacionar condições ambientais e físico-químicas, o que a envolve assim ambientes macro, médio e micro, tudo isso visando a salva-guarda dos objetos. Entre conceitos e critérios dessa obra iremos no deparar com itens de procedimento que a restauração demanda, levando em conta que consideramos que restauração é uma ação de conservação, devendo então gerar documentações extensivas, onde nelas estarão contidas todas as informações que podemos obter sobre a obra, que caso não corra podemos condenar o objeto ou descaracterizá-lo, outra etapa seria observar sobre técnicas construtivas e suas morfologias, ou seja, uma análise formal como dimensão, espessura, tipologia etc.  As técnicas construtivas ou de manufatura determinam os problemas que podem afetar objetos, cada acervo possui sua característica e especificidade. Se faz necessária uma análise do estado de conservação e se preciso com a ajuda de testes específicos do material, intervenções anteriores fazem parte da história do objeto e com uma reunião dessas informações podemos indicar mais precisamente uma proposta de intervenção. Conceitos fundamentais se tornam necessários e os autores nos apresentam procedimentos como um diagnóstico de um objeto com registro das intervenções, exigindo de nós uma mínima intervenção com leitura e a possível reversibilidade dessa intervenção, precisamos que aja uma harmonia entre o material do objeto e o material empregado nessa restauração e para isso a interdisciplinaridade que a conservação e o restauro trás consigo é de grande relevância para uma racional atuação. A avaliação de objetos que sofreram tratamentos e intervenções de mesmo tipo é importante, mesmo sabendo que cada caso é um caso, podemos com isso evitar erros já acontecidos e sabemos que novas análises requerem tempo, testes e pesquisas. Por um momento Yacy-ara froner e Luiz Antônio nos desmotiva em se tratando de uma realização de gerenciamento de coleções por motivo de altos custos e de incentivos que nem sempre vem dos órgãos do governo até esbarrarmos na famosa burocracia, mas por outro lado nos estimula por meio de projetos específicos que procuram trazer meios que viabilizem o trabalho de preservação do acervo com planejamentos a longo, médio e curto prazo, tudo isso previsto dentro de um plano diretor da instituição, Uma das questões mais relevantes a serem tratadas e pensadas são os agentes de degradação, faz parte de uma ação preventiva procurar prevenir e controlar esses agentes. O diagnóstico textual é um tipo de processo para a contenção desses degradantes onde se procura uma visão do ambiente e abrange também questões administrativas, estruturais e técnicas, tudo isso para que esses locais possam sanar problemas detectados, sempre levando em consideração as coleções, elaborar uma proposta com pessoas qualificadas e implementa-la dentro de um concreto planejamento, não parando por ai, continuar desenvolvendo relatórios para avaliação e ajustes se necessário com manutenção dessas ações.


Conclusão
A restauração é vista com muito deslumbre e sensação de poder, seja por restauradores ou admiradores da arte, a restauração se torna a propaganda do negócio em um mundo consumista e o ato de restaurar uma obra é vendido como a solução de cessar a degradação e morte de um bem cultural. O ato de colecionar é admirado cada vez mais e com isso mais acervos são criados. Toda a instituição, seja ela particular ou não, que abriga algum tipo de acervo trás consigo grandes responsabilidades ou pelo menos é o que esperamos, e de nada adianta guardar sem ter o mínimo de cuidados. Um caminho mais fácil e talvez mais em conta surge com a conservação, porque restaurar se podemos conservar objetos em seus estados original por mais tempo? Cuidados com o ambiente, o tratamento dos elementos físicos da obra, visando deter ou adiar os processos de deterioração. É isso que os autores desta obra nos trazem, mais que isso nos esclarecem as diretrizes que devemos seguir e como usá-las para uma maior permanência do estado verdadeiro de um bem cultural.


 FÁBIO GONÇALVES ZÜNDLER


 Caderno na integra: http://pt.scribd.com/doc/66558808/caderno3

22 novembro 2011

PROCEDIMENTOS DE HIGIENIZAÇÃO DE ACERVOS

Por
Silvana Bojanoski,
Conservadora-restauradora,
Especialista em Obras sobre Papel


Porque realizar o procedimento de higienização 
A higienização, um dos procedimentos fundamentais da conservação preventiva, deve fazer parte da rotina das instituições responsáveis por acervos de valor cultural e histórico. O objetivo é reduzir ou eliminar agentes agressores que causam danos aos livros e documentos. Agentes agressores, tais como poeira e outros resíduos, além de comprometerem a conservação dos acervos, também podem ser prejudiciais à saúde das pessoas que tenham contato com os materiais, seja para consulta ou execução de tratamentos técnicos. O procedimento de higienização do acervo também possibilita identificar e reduzir problemas potenciais, como por exemplo, o ataque de agentes biológicos.
A higienização é um procedimento minucioso e deve ser realizado com muito cuidado por pessoas devidamente treinadas e conscientes sobre o valor cultural do acervo. O trabalho do “agente de higienização de acervos” deve, portanto, ser acompanhado e orientado por um conservador-restaurador.

Quais são os agentes agressores 
- Poluentes particulados (poeira) ou gasosos;
- Ovos ou excrementos de insetos;
- Resíduos de alimentos;
- Resíduos de borracha;
- Variados objetos deixados dentro dos livros, como prendedores metálicos, grampos e clipes oxidados, marcadores de papel ácido, folhas e flores secas, etc.

Quais os danos causados por estes agentes agressores 
- Os poluentes gasosos causam reações químicas acelerando os processos de degradação dos componentes dos livros e documentos (papel, couro, tintas, etc.).
- Os poluentes particulados (poeira) se depositam sobre as caixas, estantes e cabeça dos livros e agem como abrasivos danificando capas e folhas dos livros.
- As partículas de poeira são higroscópicas, ou seja, absorvem umidade, criando assim ambientes propícios para o desenvolvimento de fungos.
- A sujidade do ambiente também facilita ataques biológicos, pois insetos e ratos proliferam em ambientes escuros, com índices de temperatura e umidade elevados e onde encontrem fontes de alimentos.
- Resíduos deixados dentro de livros ou caixas servem como fonte de alimento para insetos e outras pragas.
- Objetos de metais (clipes, grampos, alfinetes) oxidam-se facilmente e danificam o papel.
- Folhas e flores deixadas dentro de livros ocasionam manchas e marcas.
- A acidez presente nos marcadores de papel migra para as páginas do livro.

Quais os materiais necessários para realizar a higienização 
- aspirador de pó
- sacos extras para o aspirador de pó
- trinchas e pincéis macios
- escova tipo bigode
- espátula de osso
- estiletes de metal
- pó de borracha plástica branca (vinil)
- borracha plástica
- ralador de aço inox
- boneca de pano (saquinho contendo algodão envolvido por um tecido de algodão
amarrado, utilizado na limpeza com pó de borracha).
- papel mata-borrão
- pesos
- lupas ou lentes de aumento
- luvas de algodão ou de helanca (para limpeza de fotografias)
- luvas de látex
- máscara
- jaleco
- touca
- óculos de proteção

Como deve ser o local para realizar a higienização 
- Escolher um local limpo, ventilado, com boa iluminação, se possível exclusivo, para realizar os procedimentos de higienização.
- O local onde é feita a higienização deve estar muito limpo e organizado.
Periodicamente realizar a limpeza de mesas, estantes, mesa de higienização e aspiradores com um pano umedecido em uma solução 1:1 de álcool e água.
- Providenciar estantes para separar o material a ser higienizado e o que já recebeu tratamento. Se a higienização for realizada in loco, é preciso zelar pela ordem e segurança do acervo, retirando, transportando e devolvendo as obras nas estantes com cuidado.
- Pode-se utilizar uma mesa de higienização ou capela com sucção do ar. Desta forma evita-se o contato direto do agente de higienização com a sujidade retirada dos documentos.
- Pode-se também improvisar uma mesa de higienização providenciando uma espécie de cabine feita com papel mata-borrão ou caixa de papelão. No fundo pode-se fixar com fita crepe um aspirador para sugar as sujidades retiradas dos documentos.

Preparo dos materiais e equipamentos de higienização 
- O saco descartável do aspirador deve ser trocado periodicamente.
- Os filtros da mesa de higienização devem ser mantidos limpos com o auxílio do aspirador de pó. Tais filtros, dependendo do fabricante, podem ser lavados ocasionalmente.
- As trinchas e pincéis devem ser usados apenas na higienização e devem ser lavados com freqüência com uma solução de água e sabão. Deve-se observar se estão bem secos antes de usá-los novamente.
- O pó de borracha pode ser obtido ralando a borracha plástica com um ralador de inox. Este material pode ser preparado e armazenado em um pote de vidro de boca larga com tampa de rosca.

Quais as medidas de proteção e segurança para realizar a higienização 
- O uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) tais como luvas, máscara, jaleco, touca e óculos de proteção é obrigatório durante a higienização de
documentos. Desta forma previnem-se reações alérgicas ou outros problemas de
saúde que possam ser ocasionados pela sujidade existente no material.
- As luvas, máscaras e toucas devem ser descartadas ao final do dia de trabalho.
- As mãos devem ser lavadas com sabonete bactericida no início e final do trabalho
de higienização.
- Não consumir alimentos e bebidas, aplicar cosmético, pentear os cabelos, fumar,
mascar chicletes na área de trabalho de higienização.
- Antes de iniciar a higienização é preciso avaliar o tipo do material e o seu estado
de conservação. Alguns suportes, como por exemplo, uma obra de arte com tintas
e pigmentos frágeis, documentos muito danificados e ácidos, encadernações
rompidas, exigem atenção especial, podendo-se optar, sob a orientação do
conservador-restaurador, realizar uma higienização diferenciada.
- Para determinar se a limpeza pode ser realizada com segurança recomenda-se
iniciar em uma pequena área do livro ou documento sem informação registrada,
observando o local com uma lupa para identificar possíveis danos.
- Atenção: se for observada alguma substância não identificada ou houver cheiro de
produto químico nos documentos, recomenda-se chamar um especialista para
fazer uma identificação. Existem inúmeros acervos contaminados com pesticidas
que foram utilizados em outras épocas para combater o ataque de insetos. Os
resíduos destes produtos podem causar sérios problemas de saúde para as
pessoas que trabalham ou manuseiam estes acervos.
- Documentos contaminados por fungos e bactérias também devem receber
atenção especial, pois algumas espécies são altamente perigosas para os seres
humanos. Recomenda-se chamar um especialista e/ou conservador-restaurador
para identificar a espécie de fungo, os riscos existentes e os procedimentos que
devem ser adotados em relação ao acervo contaminado.

Métodos de higienização 
Livros e obras encadernadas
1) Inicialmente avaliar a estabilidade e a resistência da obra. Se a encadernação
estiver integra, pode-se iniciar limpando a capa e os cortes do livro com um
aspirador de baixa potência. Recomenda-se amarrar um pedaço de gaze na boca do
aspirador para reduzir a sucção e evitar que pedaços do documento sejam sugados.
O aspirador de pó não pode ser utilizado quando existem folhas soltas ou rasgadas.
Essa etapa inicial de limpeza externa também pode ser realizada com uma trincha
ou com uma escova tipo bigode.
2) Ao realizar a limpeza dos cortes, segurar firmemente o livro pela lombada e
apoiado sobre uma superfície, tomando cuidado para que a sujidade não entre no
miolo do livro. Proceder a varredura empurrando a poeira para fora da
encadernação.
3) Ao realizar a limpeza das capas é preciso observar o tipo de revestimento:
- Revestimentos em tecido podem ser limpos com a escova tipo bigode e/ou
aspirador de pó, se a capa estiver resistente e íntegra.
- Revestimentos plastificados podem ser limpos com um pano macio. Se houver
muita sujidade pode-se utilizar o pano levemente umedecido com água. Pode-se
também utilizar uma solução 1:1 de água e álcool. Nesse caso recomenda-se
iniciar em uma área pequena para verificar se o material não reage com a
aplicação de álcool.
- Os revestimentos das capas em papel podem ser limpos com pó de borracha,
fazendo movimentos circulares suaves com a boneca de pano. É preciso ter o
cuidado de retirar todo o pó de borracha utilizado com uma trincha macia ao final
do procedimento.
- Os revestimentos em couro devem ser limpos com pincéis macios e/ou tecido de
algodão macio. Outros procedimentos de tratamento do couro devem ser
realizados sob a orientação de um conservador-restaurador.
4) Após limpar capas e cortes, realizar a limpeza do miolo do livro folha a folha com
uma trincha ou pincel macio. A varredura deve ser feita sempre no mesmo sentido,
direcionando a trincha para a parte posterior da área de limpeza de forma a jogar a
sujidade na direção oposta do agente de higienização. Quando se higieniza um livro
mais volumoso é preciso apoiar a capa em uma almofada ou outro tipo de apoio
para não forçar a costura com a abertura.
5) Na primeira higienização recomenda-se limpar folha a folha com uma trincha
macia, dando-se especial atenção para a parte próxima da costura onde
normalmente se acumula maior quantidade de sujidade. Posteriormente pode limpar
apenas as capas, os cortes e as cinco primeiras e cinco últimas folhas, pois são
essas partes que tendem a acumular mais sujidades.
6) Observar se existe sujidades incrustadas nas folhas. Se necessário usar uma lupa
ou lente de aumento. Para retirar essas sujidades pode-se utilizar uma espátula de
metal sem fio. Deve-se tomar muito cuidado para não danificar as folhas com este
instrumento.
7) Clipes e grampos devem ser retirados dos documentos. Os grampos podem ser
retirados com a espátula de metal, abrindo-se cuidadosamente o grampo na parte
de trás do documento. Não utilizar o extrator de grampos porque eles forçam e
rasgam o documento.
8) Todos os materiais estranhos que estejam dentro do livro devem ser retirados. Por
exemplo: pedaços de papéis usados como marcadores de páginas, barbantes, fios
de cabelo, resíduos de insetos, folhas e flores secas, etc.
9) Deve-se prestar atenção no que se vai retirar do livro ou documento. Um selo de
cera colado, por exemplo, faz parte do documento e não deve ser removido. Partes
soltas que façam parte da obra devem ser colocadas em envelopes devidamente
identificados. Dúvidas sobre como proceder devem ser sanadas com o responsável
pelo acervo ou pelo conservador-restaurador que estiver acompanhando o trabalho.
10) A retirada de fitas adesivas e etiquetas exigem especial cuidado porque pode
ocasionar danos e rasgos no papel. Trata-se de um procedimento específico que
somente deve ser realizada sob a orientação do conservador-restaurador.
11) Após finalizar a limpeza de cada folha com a trincha pode-se utilizar a espátula de
osso para alisar dobras e diminuir os vincos.
12) Após limpar todo o miolo, colocar a obra em pé e bater levemente na lombada
com o cabo do pincel. Observar se existem resíduos que possam indicar algum tipo
de infestação de insetos.
13) Ao finalizar a higienização do volume deve-se folhear com cuidado o livro várias
vezes para propiciar a aeração do miolo.

Documentos planos 
1) Documentos planos como mapas e plantas podem ser higienizados com pó de
borracha. Deve-se antes avaliar a resistência da obra para que o procedimento seja
feito com segurança.
2) A borracha não pode ser utilizada em áreas onde existam anotações ou pinturas a
lápis.
3) Os documentos de grande porte devem ser colocados em uma mesa grande,
mantendo-o preso com pesos nos cantos e laterais.
4) A borracha plástica é colocada sobre o documento e friccionada levemente com
uma “boneca” de algodão ou um pedaço da própria borracha.
5) Deve-se dividir o documento em setores, realizando-se a limpeza do documento
em partes. Desta forma tem-se o controle de quais áreas já foram limpas.
6) Os resíduos de pó que se acumulam no verso do documento devem ser totalmente
eliminados.
7) Na medida em que o pó de borracha se torna sujo e escuro ele deve ser retirado
da superfície do documento com uma trincha macia. O procedimento deve seguir,
respeitando-se a integridade do material, até que a borracha utilizada esteja clara.

Como limpar as áreas de guarda de documentos
- As pessoas que realizam a manutenção das áreas de guarda de documentos e
livros devem ser orientadas sobre como limpar essas áreas.
- Deve-se realizar sistematicamente a limpeza do piso e das estantes com
aspiradores de pó. Não é recomendável varrer o ambiente porque dessa forma o pó
fica em suspensão e volta a se depositar nas estantes e piso.
- Na limpeza de estantes recomenda-se utilizar um pano levemente umedecido em
uma solução de álcool e lysoform (2%). A estante deve estar completamente seca
para recolocar os livros.
- Nas áreas de guarda de documentos não se recomenda utilizar nenhum tipo de cera
ou outros produtos de limpeza.
- As caixas de acondicionamento e embalagens devem ser limpas sistematicamente.
Caixas poliondas devem ser limpas com o aspirador e pano levemente umedecido.
Caixas e pastas que apresentarem grande acúmulo de poeira devem ser
substituídas por caixas novas.

Conclusão 
A higienização é um procedimento simples que garante a melhoria das
condições de conservação dos documentos. No entanto não se pode, em nenhum
momento, ignorar as recomendações e orientações de cuidados para realizar esse
procedimento. A manipulação descuidada no momento da higienização pode piorar o
estado de conservação de um documento que já está fragilizado ou ainda, ocasionar
danos e perdas irrecuperáveis de informações. A movimentação do acervo, se
realizada sem controle, coloca o risco de extravio e perda das obras.
O manuseio e higienização de obras raras exige uma atenção especial. Além do
cuidado com as obras frágeis ou danificadas, é preciso estar atento às intervenções
indevidas, como por exemplo, a retirada ou perda de algum componente da
encadernação original que esteja solto ou deteriorado, ou ainda, qualquer ação que
resulte em alteração das características originais da obra. Recomenda-se prudência e
em casos de dúvidas é necessário buscar soluções e tomar decisões em conjunto com
os responsáveis pelo acervo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CASSARES, Norma Cianflone. Como fazer conservação preventiva em bibliotecas e
arquivos. São Paulo: Arquivo do Estado e Imprensa Oficial, 2000.
MELO, Leandro Lopes Pereira de; MOLINARI, Lílian Padilha. Higienização de
documentos com suporte em papel. São Paulo: Fundação Patrimônio Histórico da
Energia de São Paulo – Programa de Documentação Arquivística, 2002.
OGDEN, Sherelyn. Armazenagem e manuseio. Rio de Janeiro: Projeto Conservação
Preventiva em Bibliotecas e Arquivos, 2001.
PALETA, Fátima Aparecida Colombo; YAMASHITA, Marina Mayumi. Manual de
higienização de livros e documentos encadernados. São Paulo: Hucitec, 2004.
SERIPIERRI, Dione et al. Manual de conservação preventiva de documentos:
papel e filme. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005.
SILVA, Francelina Helena Alvarenga Lima e. Enfoques e ações em biossegurança em
bibliotecas, arquivos e museus. Apostila apresentada no III Curso de Segurança
em Acervos Culturais. Coordenação de Documentação em História da Ciência,
Museu de Astronomia e Ciências Afins/MCT, 09 a 13 de maio de 2005.
SPINELLI Jr. , Jayme. Conservação de acervos bibliográficos e documentais. Rio
de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Depto. De Processos Técnicos, 1997.
Disponível no portal http://www.bn.br/preservação.

27 agosto 2011

O papel japonês na conservação e restauro

Dentre os vários usos do WASHI, destaca-se a importância que ele exerce nos procedimentos de conservação e restauro de acervos históricos, principalmente de livros, documentos e obras de arte.

Quando pensamos em preservação de bens culturais ou mesmo de acervos familiares, não podemos pensar a curto prazo. Nosso alvo deve ser no mínimo 100 anos.

Portanto todos os materiais envolvidos no tratamento de conservação e restauro devem ser quimicamente estáveis e resistentes. Chamamos estes materiais de "materiais de qualidade arquivística".

O uso de papéis japoneses e de colas adequadas são procedimentos simples mas ao mesmo tempo importantes para a perpetuação da vida dos acervos documentais.

 
PAPEL OCIDENTAL:
Obtido através de processo contínuo de fabricação em massa com o uso de fibras de celulose, principalmente de madeira, de baixa qualidade e custo.


As qualidades do papel ocidental atendem ás exigências do mercado a que ele se destina, mas pouco uso tem na área de conservação e restauro de documentos históricos. As fibras são curtas e o processo de fabricação utiliza químicos nocivos ao suporte papel dos livros, documentos e obras de arte.

Características: É feito de fibras curtas, de baixa qualidade; é quimicamente instável; tem baixa durabilidade e resistência (fibras curtas); tem opacidade e não apresenta Ph neutro.

PAPEL ORIENTAL:
O WASHI, por sua vez, é obtido por processo manual e com utilização de fibras vegetais muito longas, feito folha a folha, com ingredientes estáveis de alta qualidade. Sua alta resistência atende a uma das necessidades mais requeridas pelos restauradores e conservadores. As fibras vegetais mais utilizadas na fabricação do papel japonês são o KOZO, MITSUMATA, e GAMPI.

O tipo de processo de obtenção, o peso da tradição, a nobreza das fibras, as qualidades do papel justificam as diferenças de custo de um tipo para o outro.

TV R.CULT: Etapas da produção de papel



Abaixo Processo de fabrico do papel feito pelo "Discovery Chanel" no programa "Como Fazem Isso". Gravado em portugal na fábrica da Soporcel na Figueira da Foz.

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