CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE BENS CULTURAIS

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15 setembro 2015

A digitalização a serviço da documentação da conservação



Link para o texto original: http://www.cool.conservation-us.org/jcms/issue7/0111Moore.pdf Acessado em: 06.9.2015.

Algumas questões devem ser consideradas e levadas em conta como irão ser feitas antes das instituições de conservação adotar um equipamento e um software. O profissional de conservação poderá se beneficiar da digitalização da documentação usando softwares como bancos de dados e equipamentos, como câmeras digitais e scanners. A tecnologia digital fará a documentação e a conservação mais facilmente acessível, em custo/ beneficio, aumentando a consistência e a precisão dos dados gravados reduzindo os espaços de armazenamento físico. A principal desvantagem para digitalização na conservação é a manutenção de acesso à informação para o futuro; o ritmo da mudança da tecnologia tem sérias implicações na recuperação de dados a partir de qualquer meio de leitura por máquina.

Quais tecnologias podem ser utilizadas na documentação da conservação

Digitalização:
  • Processo de conversão de dados em um formato digital.
  • As informações estarão em formato digital quando gravadas, processadas e armazenadas por meios relacionados com a informática em código binário (como 0s e 1s).
  • Um dos principais métodos de conservação de documentação, textual e visual.
  • Com os computadores tornar-se muito mais fácil escrever e editar relatórios, bem como gerenciar informações contidas em bancos de dados (Sayre, 1986);
  • As três principais ferramentas tecnológicas que estão sendo usadas atualmente são bancos de dados, câmeras digitais e scanners.

Bases de dados ou metadados:
  • Podem ser basicamente definidos como "dados que descrevem os dados", ou seja, são informações úteis para identificar, localizar, compreender e gerenciar os dados, geralmente uma informação inteligível por um computador.
  • O tipo de banco de dados que estamos mais familiarizados é o formulário que pode ser acessado e manipulado por software de computador onde a informação está em um formato digital, por exemplo, uma tabela pode ser usada para documentar informações sobre conservadores no departamento, quando o nome de um conservador é preenchido para um novo objeto o restante das informações sobre o conservador pode ser chamado imediatamente, sem digitá-lo novamente. (Keene, 1996)
  • Os metadados para preservação visam a apoiar e facilitar a retenção a longo prazo da informação digital (OCLC/RLG, 2001).

Câmeras digitais:
  • A possibilidade de imagens instantâneas para informações sobre o estado e os relatórios de tratamento, seja armazenando no computador ou imprimindo, o que dá mais praticidade ao processo.
  • As imagens digitais podem ser visualizadas na câmera antes de serem salvas e, portanto, o conservador pode decidir se a imagem realmente mostra o que pretendia ser revelado.
  • Coma as câmeras digitais podemos fazer ampliações em imagens para ver melhor os detalhes.
  • Em “RECOMENDAÇÕES PARA DIGITALIZAÇÃO DE DOCUMENTOS ARQUIVÍSTICOS”, elaborada por especialistas do Arquivo Nacional (CONARQ) e aprovada na 53ª reunião plenária do CONARQ, realizada no dia 20 de maio de 2009, o uso de câmeras digitais implica no uso de mesas de reprodução, para a garantia do paralelismo necessário a uma boa qualidade da imagem digital gerada, além de sistemas de iluminação artificial compatíveis, necessariamente com baixa intensidade de calor e o mínimo de tempo de exposição necessário para não comprometer o estado de conservação dos documentos arquivísticos originais. (CONARQ, 2010)
  • Recomenda-se o uso de câmeras de médio e grande formato com backs digitais (foto Dispositivo de captura digital acoplado a uma câmera fotográfica dotada de conjunto óptico convencional ou hibrido.) para geração de fotografias de alta qualidade, e para a captura digital de documentos em grandes formatos como mapas e plantas. Sempre que possível, deve-se privilegiar sistemas planetários de captura (foto) para evitar riscos de manuseio dos originais a serem digitalizados. (CONARQ, 2010).




Scanners:
  • São usados para transferir uma imagem de papel existente ou documento para um formato digital, onde poderá ser manipulado usando um programa de software de imagens.

Entre os escâneres encontramos:
  • Escâneres de mesa (flat bed): Indicado para os documentos planos em folha simples e ampliações fotográficas contemporâneas em bom estado de conservação. Este tipo de equipamento não se aplica a documentos encadernados.
  • Escâneres planetários: Este tipo de equipamento utiliza uma unidade de captura semelhante a uma câmera fotográfica, uma mesa de reprodução que define a área de escaneamento e uma fonte de luz. São usados para a digitalização de documentos planos em folha simples, de documentos encadernados que necessitem de compensação de lombada, de forma a garantir a integridade física dos mesmos, bem como para os documentos fisicamente frágeis.
  • Escâneres de produção e alimentação automática: A utilização deve ser avaliada, devido a riscos de danos físicos e longevidade de documentos, usa dispositivos mecânicos e ópticos. Os documentos a serem digitalizados neste tipo de equipamento deverão obrigatoriamente passar por uma análise rigorosa de sua estrutura física, seu estado de conservação, bem como a retirada de sujidades e objetos como clips, grampos, fitas adesivas e assemelhados. (CONARQ, 2010).

Permanência de informações:
  • A Permanência de informações é feita por dispositivos capazes de gravar (armazenar) informações (dado). Um dispositivo de armazenamento retém informação, processa informação, ou ambos. Um dispositivo que somente guarda informação é chamado mídia de armazenamento. Dispositivos que processam informações (equipamento de armazenamento de dados) podem tanto acessar uma mídia de gravação portátil, ou podem ter um componente permanente que armazena e obtém dados.

Tipos de dispositivos de armazenamento e capacidades:
  • Por meio magnético, os quais compreendem os Disquetes (floppy disks) e HD’s, conhecidos como disco rígido (hard disks), os Jaz Drives, as fitas DAT, entre outros. (Disquete 3. ½" - 1.44 MB), (HD’s - 4TB)
  • Por meio óptico, os quais compreendem os CDs, DVDs, Blu-Ray etc. (Cd's – 650MB), (DVD's - 4.7 GB ou 8.4 GB camada dupla) e (Blu-Ray – 25GB/ 50GB camada dupla; 100GB/128GB -BDXL.)
  • Por meio eletrônico, memórias de estado sólido ou SSDs (solid state drive) os quais compreendem os cartões de memória e pen drives, mesmo os discos rígidos possuem uma certa quantidade desse tipo de memória funcionando como buffer. (Pen drives - 4TB), (Cartões de Memória MicroSD- 128GB)

Longevidade

  • O Armazenamento tanto por meio magnético ou ópticos geralmente é pensado para ser entre cinquenta e cem anos, desde que em condições de armazenamento adequadas, longe de imãs, alimentos, umidade e poluentes, também protegendo de desgastes.
  • No início, as práticas relacionadas com a preservação digital estavam baseadas na idéia de garantir a longevidade dos arquivos, mas essa preocupação agora está centralizada na ausência de conhecimento sobre as estratégias de preservação digital e o que isso poderá significar na necessidade de garantir a longevidade dos arquivos digitais. (ARELLANO, 2004)

Hardware e software Obsoletos
  • A velocidade da mudança tecnologica, nos aleta a preservação do patrimônio digital, ou seja, de garantir que se tenha o acesso permanente a informação do patrimônio. A informação digital só pode ser lida através de alguns tipo de máquina e tendo acesso a ela é, portanto, dependente da máquina para o funcionamento dos Programas. (Acervo Digital = Hardware + software )
  • Atualmente o período padrão de obsolescência tecnológica é entre dois a cinco anos, o que significa que manter o acesso aos dados será uma responsabilidade permanente. (Garrett, 1996). Uma diferente solução tem de ser encontrada. Profissionais acordaram que a preservação de informações digitais depende de copiá-la em vez de tentar preservar o meio.

Há duas formas principais de copiar as informações: Colheita e Migração.

Migração
A migração é definida como a transferência de informações intactas para outro suporte (Ditzler 1994). A migração é o método cuja finalidade é preservar a integridade do documento/ arquivo/ programa, fazendo uma exata cópia do mesmo na nova geração de tecnologia. Este significa que não só é os dados copiados para um novo meio mas a estrutura da informação e da maneira na qual ela está relacionada, características tais como capacidade de recuperação e relatórios, também serão transferidos intactos.

Colheita (Harvesting)
A outra maneira de copiar a informação digital envolve reformatar as informações para uso em um diferente meio. (Ditzler 1994). A colheita é feita pela reformatação das informações para um formato padrão simples. Isto pode resultar, no entanto, na perda da estrutura do documento e relacionamentos em bancos de dados, computação capacidades e telas gráficas, o que é o que tenta impedir a migração; removendo a estrutura e as relações limita o potencial analítico de documentos de investigação (Hedstrom n.d.). Mas esta maneira de preservar a informação digital é mais fácil do que a migração, colheita deve ser apenas o método de escolha quando é apenas a informação em bruto e não a estrutura e recursos de software que é importante a ser preservada.

Escolhendo e projetando um banco de dados (database)

Há certas decisões a serem tomadas por um conservador ou uma instituição antes de escolher a forma de o sistema de banco de dados.

O primeiro passo consiste em examinar as práticas atuais de documentação de levantamento das formas que são usados para as várias atividades de conservação e decidir, em consulta com os utilizadores das formas, se as formas utilizadas cumprirão as necessidades futuras (Abt, 1986).

Se os usuários solicitarem alterações às formas, em seguida, as modificações devem ser feitas, antes do software e hardware do banco de dados são escolhido.

Num determinado ponto, deve ser decidido se o sistema informatizado irá substituir completamente a documentação em papel ou continuar ao lado.

Uma questão importante a resolver é como os objetos de informações serão mantidos na base de dados.

Saber como os campos de informação serão preenchidos dentro do computador os formulários de notificação.
As decisões sobre o armazenamento terão de ser considerados antes o sistema seja concebido.

Métodos de back-up e sistemas de segurança;

Atividades devem ser pensadas para os próximos cinco, dez e vinte anos , de modo que o tipo de equipamento escolhido para executar o software seja capaz de expandir como o quantidade de documentação da conservação cresce. (Extraído de uma apresentação na 12ª Reunião Anual, Los Angeles, Califórnia, maio 1984 no Instituto Americano para a Conservação da histórico e Trabalho Artístico.)

Controle de Terminologia:

Esta é uma questão que a profissão de conservação tem vindo a discutir, pelo menos desde o início de 1980 e o controle da terminologia é ainda mais importante quando a discussão se volta para a conservação informatizada da documentação. A diversidade de procedimentos na conservação, os materiais envolvidos com os objetos e seus tratamentos é igualada pelos termos utilizados para descreve-los. A digitalização incentiva o controle da terminologia dentro do contexto de documentação; Uma ideal situação, seria que houvesse terminologia normalizada internacionalmente, as quais faria uma troca de informações e busca de documentações mais eficiente em outras instituições.

Acessibilidade

Um dos maiores benefícios da digitalização é que a informação seja mais acessível. Profissionais, interessados na informação física do objeto documentado, pode ter acesso instantâneo aos aos dados, seja por ter o registro de e-mail para ser enviada informações para eles ou se poderem pesquisar o banco de dados através da internet ou em computadores ligados em rede.

A maior reclamação por profissionais não-conservadores é que a informação da documentação é muito detalhada e específica.

Transferir as formas de documentação para um formato pesquisável juntamente com os diferentes campos de dados, deve tornar muito mais fácil para arqueólogos, gestores, educadores e pesquisadores para extrairem a informação específica que eles estão interessados.

Custos

Cada estratégia técnica de preservação e de acesso implica diferentes custos e cronogramas. A preservação digital requer recursos disponíveis permanentemente que começam a se delinear no momento da criação do recurso. Muitos materiais são criados fora dos centros de informação e das bibliotecas. Nesses casos, são os editores e outros criadores de conteúdos que devem adotar os padrões apropriados e as tecnologias que darão subsídios à preservação. Segundo Feeney (1999), “diferentemente da situação que se aplica aos livros, o arquivamento digital requer investimentos relativamente freqüentes para superar a obsolescência rápida produzida pelas mudanças tecnológicas”. Os provedores de material digital, no correr do tempo, precisam investir para criar documentação e metadados, gerando novas formas de material para manter o acesso. Esse investimento deve ser levado em consideração no momento de discutir os direitos de uso e reuso dos objetos digitais. Do mesmo modo, entre os aspectos que devem ser identificados em qualquer estratégia de preservação está a necessidade de contratação e de capacitação de pessoal. (ARELLANO, 2004)

Concluimos que:

A decisão de digitalizar registros de conservação é um passo importante para a instituição, mas que deve ser considerada com cuidado, pois as mídias utilizadas, principalmente de banco de dados, câmeras digitais e scanners, é constantemente acometida de mudanças.

A informação em formato digital é reproduzível sem deterioração dos dados, enquanto que a forma em que os dados são armazenados não é indestrutível.

As principais estratégias de preservação digital encontradas na literatura são : preservação da tecnologia, emulação, migração, encapsulamento e replicação. (CORRÊA, 2010; FERREIRA, 2006;SAYÃO, 2010; THOMAZ e SOARES, 2004)

As questões de gestão devem considerar os usuários atuais, assim como os futuros potenciais utilizadores e na documentação considerar as questões de controle de terminologia.

A digitalização na documentação da conservação tem o potencial de revolucionar a maneira com que as atividades serão relatadas, acedida, armazenada e mantida.

Tem um bom custo benefício, o espaço físico de armazenamento irá diminuir e a precisão e consistência da informação será melhorada.


Bibliografia

CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS. Carta para preservação do patrimônio arquivístico digital. Rio de Janeiro: 2004.

Recomendações para Digitalização de Documentos Arquivísticos Permanentes. Rio de Janeiro: Conselho Nacional de Arquivos, 2010.


FERREIRA, José Jardel Luciano. Sistemas de Informação, Dispositivos de armazenamento. Araxá/MG, 2009. Disponível em: http://jose-jardel.weebly.com/disp-armazenamento.html Acesso em: 06.9.2015.

Moore, Michelle. CONSERVATION DOCUMENTATION AND THE IMPLICATIONS OF DIGITISATION. In: Journal of Conservation and Museum Studies. Nov, 2001. Disponível em: http://www.cool.conservation-us.org/jcms/issue7/0111Moore.pdf Acessado em: 06.9.2015.

OCLC/RLG. Preservation metadata for digital objects: a review of the state of the art - a white paper. Disponível em: www.oclc.org/research/projects/pmwg/presmeta_wp.pdf>. Acesso em: 10 Set. 2015. REICH, L.; SAWYE

ARELLANO, Miguel Angel. Preservação de documentos digitais. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ci/v33n2/a02v33n2.pdf. Acesso em: 10 Set. 2015.


13 outubro 2011

Ação emergencial na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano

No dia 6 outubro, a superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na Bahia – Iphan-BA, esteve em ação emergencial na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Nota publicada pelo Iphan-BA, a decisão foi tomada em função dos riscos iminentes ao patrimônio nacional e tem como objetivo interromper as “intervenções criminosas e estancar os graves danos causados ao patrimônio cultural”. A ação conta com a participação da Polícia Federal na Bahia.


Ainda de acordo com a nota, a Prefeitura Municipal de Cachoeira tem adotado uma conduta irresponsável e ameaça a preservação do patrimônio cultural, um dos mais expressivos acervos arquitetônicos do período colonial brasileiro, respondendo por cerca de 30% dos bens protegidos pelo Iphan no estado. Leia a nota na íntegra:


NOTA SOBRE AÇÃO EMERGENCIAL EM CACHOEIRA, BAHIA


A cidade de Cachoeira, localizada às margens do Rio Paraguaçu, no Recôncavo Baiano, possui um dos mais expressivos acervos arquitetônicos do período colonial Brasileiro, respondendo por cerca de 30% dos bens nacionalmente protegidos no Estado. Além do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico, convertido em Monumento Nacional pelo Decreto 68.045, de 18/01/1971, através do processo 843-T-71, inscrito no livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, nº49, fl. 12, de 21/09/1971, o município possui 31 bens individualmente tombados, número superior ao acervo protegido de vários Estados da Federação.


Em face de sua relevância, Cachoeira recebeu do Governo Federal ao longo do últimos 10 anos recursos de R$ 55.000.000,00 (cinqüenta e cinco milhões de reais) aplicados em ações no Patrimônio Cultural, o que colocou a cidade no topo da lista dos municípios que mais investimentos recebeu em todo o país.


A implantação da Universidade Federal do Recôncavo Baiano – UFRB, por exemplo, apenas viabilizou-se a partir das intervenções efetuadas pelo IPHAN/Monumenta no Quarteirão Leite Alves, com obras de R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais). Vale aduzir, que a ida da universidade modificou inteiramente o tecido econômico-social local.
Junto a isto, é importante destacar as intervenções de conservação e restauração realizadas nas principais edificações civis e religiosas que compõe o conjunto protegido, tais como:
• Capela de Nossa Senhora da Ajuda;
• Paço (Casa de Câmara e Cadeia);
• Casa Natal de Ana Nery-Rua Ana Nery, nº 07;
• Conjunto do Carmo-Ordem Primeira;
• Conjunto do Carmo-Ordem III e Casa de Oração;
• Igreja do Rosarinho e Cemitério dos Pretos;
• Imóvel à Rua Benjamin Constant, nº 17;
• Imóvel à Rua Sete de Setembro, nº 34;
• Igreja Matriz do Rosário;
• Imóvel à Rua Ana Nery, nº 02;
• Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte;
• Requalificação Urbana de logradouros(1ª Etapa);
• Imóvel à Rua Manoel Vitorino, nº 12;
• Imóvel à Rua 13 de Maio, nº 13;
• Requalificação Urbana da Orla de São Félix;
• Igreja Matriz do Rosário - Bens Integrados;
• Museu de Cachoeira;
• Igreja de São Tiago do Iguape;
• Seminário de Belém;
• Imóvel à Praça da Aclamação, nº 01;
Para além, encontram-se em andamento as seguintes intervenções:
• Implantação de Rede de Distribuição Subterrânea (Pronac)
• Restauração dos painéis azulejares da Igreja Matriz do Rosário
• Restauração do Cine Teatro Glória
• Restauração do imóvel situado à Rua Ana Nery, nº25
Cabe ainda observar ainda que, o Programa de Financiamento de imóveis privados investiu aproximadamente R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais), beneficiando 63 proprietários, que puderam dispor de recursos para a restauração e conservação dos seus próprios em condições especiais, sem quaisquer juros e prazo para pagamento de até 20 anos.
O Acordo de Preservação do Patrimônio Cultural – APPC do PAC das Cidades Históricas, capitaniado pelo IPHAN, firmado em outubro de 2010, prevê investimentos totais de R$ 105.000.000,00 (cento e cinco milhões de reais) até 2013, pelos governos estadual e federal.
Apesar de todo o exposto, e por absurdo, a Prefeitura Municipal tem adotado uma conduta irresponsável e desidiosa, se configurando como uma das principais ameaças à preservação do Patrimônio Cultural de Cachoeira. Além de se furtar a cumprir o seu dever constitucional de preservar o patrimônio cultural local, não fiscalizando e permitindo a disseminação de intervenções ilegais na cidade, o Poder Público Municipal tem pregado sistematicamente a desobediência aos diplomas legais de proteção do Patrimônio Cultural. Os danos cometidos contra o acervo histórico, cultural e artístico nacional se constituem em crimes cometidos contra o Patrimônio Nacional, sendo submetidos ao juízo da Justiça Penal Federal.
Atualmente, encontram-se em andamento inúmeras intervenções ilegais, sem a devida autorização desta instituição, como por exemplo, a construção de quadra poliesportiva na vizinhança imediata da Igreja do Antigo Seminário de Belém de Cachoeira, afetando agudamente a ambiência do monumento individualmente protegido; a destruição de canteiros de Praça localizada próxima à Avenida Beira Rio, requalificada recentemente com recursos do Governo Federal; a construção de cobertura metálica em quadra poliesportiva em imóvel situado à rua Martins Gomes; dentre outros.
Estes fatos, levaram o IPHAN a emitir diversos Termos de Embargo e Autos de Infração determinando a paralisação imediata de todo e qualquer serviço porventura iniciado. As determinações desta Instituição tem sido sistematicamente desobedecidas.
Diante dos riscos iminentes ao Patrimônio Nacional o IPHAN, no cumprimento do seu dever constitucional, em conjunto com a Policia Federal na Bahia, está realizando, em 06 de outubro de 2011, ação emergencial com o objetivo de interromper imediatamente as intervenções criminosas e estancar os graves danos causados ao Patrimônio Cultural Nacional no município de Cachoeira.


Informações da Superintendência do IPHAN na Bahia

30 agosto 2011

FUNDADA ASSOCIAÇÃO DAS CIDADES HISTÓRICAS DO RIO GRANDE DO SUL

CAÇAPAVA DO SUL FOI SEDE DO ENCONTRO

    Nos dias 16 e 17 de Março de 2011, no salão de eventos do hotel Karlton, em Caçapava do Sul estiveram reunidos representantes de 10 cidades inseridas no PAC-CH para a Fundação e Aprovação do Estatuto da Associação das Cidades Históricas do Rio Grande do Sul (ACHRS).
   Além do anfitrião prefeito Zauri Tiaraju de Castro estiveram presentes o prefeito de Jaguarão e os vice-prefeitos de São Miguel das Missões e de São Nicolau, além de gestores públicos dos municípios de Caçapava do Sul, Jaguarão, Bagé, Novo Hamburgo, Pelotas, Piratini, Porto Alegre, e Rio Grande. Os representantes dos municípios de Antonio Prado e General Câmara, não estiveram presentes, no entanto manifestaram seu apoio a associação.
O evento também contou com a presença (durantes os dois dias) de Anderson Cabido (Presidente da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais e Prefeito de congonhas, MG) apoiando e contribuindo com sua experiência.
   Também participaram do Encontro: a Superintendente da 12ª SR - IPHAN (Ana Meia), o diretor do IPAHE (Eduardo Hann), a diretora do Campus da Unipampa de Jaguarão (Maria de Fátima Ribeiro) e a representante do Comitê da Transversalidade do Governo Estadual (Brenda Spindola).
    Conforme a assessora de projetos especiais da prefeitura de Caçapava do Sul (Claudia Uessler) o objetivo dessa Associação é de que haja uma maior integração e agilidade na busca de recursos - tanto técnicos como financeiros, para a preservação e promoção do patrimônio cultural e o desenvolvimento turístico local.

FONTE: DRa. CLAUDIA UESSLER

Pelotas estará representada no Encontro das Cidades Históricas

   
   A Secretaria de Cultura local (Secult) estará representada, em Juazeiro do Norte, Ceará, por ocasião da realização do 4º Encontro Nacional de Cidades Históricas e Turísticas. Para tanto, o Superintendente de Cultura, Mogar Pagana Xavier, desloca-se ao Nordeste com o objetivo de apresentar a experiência do município com relação ao tema.
   O Encontro realiza-se entre os dias 1º e 3 de setembro, no Memorial Padre Cícero, e contará com a presença do ministro do Turismo, Pedro Novais, que presidirá a cerimônia de abertura.
   A 3ª edição do Encontro foi realizada no ano passado na cidade de Belém (PA) e reuniu representantes de pelo menos 35 cidades históricas e turísticas, possibilitando a discussão de estratégias conjuntas de enfrentamentos dos problemas do setor.

"Será de 1 a 3 de setembro, em Juazeiro do Norte, o IV Encontro das Cidades Históricas e Turísticas e IV Encontro do Grupo de Trabalho do Turismo Religioso. A prefeitura, através da Secretaria de Turismo e Romarias, está empenhada no sentido de recepcionar e garantir aos participantes de todo o Brasil uma saudável acolhida. Além disso, a infraestrutura necessária para o evento no Memorial Padre Cícero com a chancela do Ministério do Turismo. Este ano o evento será realizado simultaneamente com o GT de Turismo Religioso numa deferência especial ao Juazeiro por conta dos 100 anos de emancipação política e o fato de se constituir um dos principais pólos de romarias do Brasil. Vários temas serão debatidos e um deles é a criação da Associação das Cidades Históricas e Turísticas, mas a programação ainda está sendo definida. Trata-se de uma entidade jurídica destinada à defesa dos interesses das cidades históricas e turísticas com todo o apoio do IPHAN. (Demontier Tenório)"

29 junho 2011

Viver, lembrar, esquecer

   A questão do esquecimento nas sociedades atuais será o tema central do 5º Seminário Internacional em Memória e Patrimônio, organizado pela UFPel. Que este ano será realizado de 5 a 7 de outubro.
   O Esquecimento vem sendo estudado no século XX em relação com o genocídio judaico. As revelações sobre o Holocausto mostraram à humanidade um “dever de lembrar”, especialmente quando há crimes considerados imprescritíveis, ou seja, cujo julgamento nunca deveria ser arquivado.
  Mesmo quando as recordações chegam à consciência com agrado, é possível que o esquecimento tenha também sua função mental. Os vazios da memória são na verdade defesas que ajudam a tirar do pensamento aqueles momentos que não foram aceitos ou compreendidos.
  Portanto, a pessoa não lembra o que aconteceu e não consegue desenvolver-se na vida e construir um futuro. Trata-se de um tema a ser integrado com a psicologia e os estudos sobre a dor e a felicidade.
  Na foto maior, reproduzida do Quiosque Nelson Nobre, o Laranjal nos anos 50. Hoje, vemos carros bem diferentes, pavimento, calçadão novo, mais artifícios. A areia será a mesma? E as palmeiras? Algumas pessoas podem ainda estar vivas; talvez várias já faleceram. Terão sido esquecidas?
  Alguns dos painéis temáticos do V SIMP e seus coordenadores:
  • Literatura, memória e trauma - Aulus Martins
  • Fotografia e Esquecimento ou a “imagem sem imaginação” - Francisca Michelon
  • Lembrar, esquecer, narrar - Carla Gastaud
  • A conservação e restauração do patrimônio cultural como resgate da memória - Andréa Bachettini
  • Museus e acessibilidade: ser visto para não ser esquecido - Francisca Michelon e Nóris Pacheco Leal
  • Memória e esquecimento: por entre traços, rastros, cicatrizes e sombras - Denise Busoletti
  • Arte e memória: visualidade entre-silêncios - Ursula Rosa da Silva 
Rethalhado do blog: http://pelotascultural.blogspot.com/

06 junho 2011

A idéia de restauração em John Ruskin e Eugène Viollet-Le-Duc


   Há duas grandes correntes doutrinárias sobre a restauração do patrimônio histórico(CHOAY, 2003, p. 153):
1) Anti-intervencionista (na Inglaterra); e
2) Intervencionista (típica dos países europeus).
     A primeira corrente é simbolizada, principalmente, por Ruskin e Morris e a segunda por Viollet-Le-Duc. Aquela defende um anti-intervencionismo radical, onde “não se tinha o direito de tocar nos monumentos antigos, que pertenciam, em parte, àqueles que os edificaram e, também, às gerações futuras”. Para os anti-intervencionistas, a “restauração é impossível e absurda”, pois equivaleria a “ressuscitar um morto”, além de romper com a autenticidade da obra. Todavia, esses doutrinadores não excluem a possibilidade da manutenção, desde que imperceptível (CHOAY, 2003, p. 154-156; RUSKIN, 1901, p. 353). Por outro lado, os intervencionistas consideram que restaurar um edifício significa “restituí-lo a um estado completo, que pode nunca ter existido”. Sendo assim, se um edifício não continha todos os elementos necessários a compor um estilo, estes deveriam ser acrescentados no processo de restauração (CHOAY, 2003, p. 156-157). Em relação à corrente anti-intervencionista, Ruskin sustentava que a arquitetura era essencial à lembrança, sendo o meio mantenedor das ligações com o passado e a identidade coletiva. Nos edifícios antigos, por exemplo, pode-se perceber o valor incorporado pelo trabalho das gerações pretéritas, desde as moradias humildes às mais luxuosas (CHOAY, 2003, p. 139-141).
      O citado autor era contrário à industrialização e valorizava o trabalho manual realizado nos edifícios antigos, assim como as marcas decorrentes da passagem do tempo, por entender que ambos conferiam um caráter sagrado às edificações. Para Ruskin, o homem produzia, ao mesmo tempo, um objeto útil e uma obra de arte. Neste contexto, discorre sobre o dualismo entre a beleza e a utilidade sugerindo uma sutil distinção entre a arquitetura e a construção (BENEVOLO, 1976, p. 198; 200; CHOAY, 2003, p. 154).
Em sua obra Pedras de Veneza, critica as intervenções que lesam a estrutura da malha
urbana das cidades antigas. Sugere ainda que, no caso específico de Veneza, a arquitetura
doméstica como um todo desempenha o papel de monumento histórico. A mais, prenunciou a inclusão dos conjuntos urbanos na herança a ser preservada, além de ampliar a proteção dos monumentos em escala internacional (CHOAY, 2003, p.180-182).
Já no The Seven Lamps of Architecture, o mesmo autor destaca o potencial de memória
que o monumento histórico desempenha, em função do valor histórico de que se reveste, sem tratar das antiguidades. Desta forma, considera um “sacrilégio tocar nas cidades da era préindustrial, propondo continuar a habitá-las, como no passado”, como garantia da identidade individual e coletiva. Em suma: pretende-se viver as cidades históricas no presente (CHOAY, 2003, p. 182).
      Já em relação aos ornamentos industriais, tanto Ruskin como Viollet-Le-Duc os consideravam efeitos “monstrificadores”, que além de comprometer a finalidade da construção, adulteravam sua verdadeira beleza. Ruskin acrescenta, ainda, que o local apropriado para os ornamentos artesanais são os protegidos da agitação urbana, de forma a
possibilitar sua observação, excluídos os ambientes comercias e de trabalho, nos quais os ornamentos conduziriam à dispersão do olhar. Destacou, também, a aplicação criteriosa desta ornamentação no interior dos lares. Sustentou, também, que a automação industrial poderia substituir o trabalho humano em tarefas desgastantes, além de condenar as ornamentações que se passavam por determinados materiais ou técnicas de construção, com intenção mentirosa (PAIM, 2000, p. 29-30; 34-35).
      A título de curiosidade, cite-se que em 1846, a Academia Francesa criou um manifesto condenando a imitação dos estilos medievais. Não obstante, Viollet-le-Duc a refuta por acreditar que plagiava a linguagem clássica, além de reforçar a arte gótica como nacional. Em 1855, Ruskin também intervêm dizendo “não ter duvidas de que o gótico setentrional do século XIII se adequa às construções modernas dos países nórdicos” (RUSKIN, 1855 apud BENEVOLO, 1976, p. 86).

Retahalhado de:
Raquel Diniz Oliveira
Patrimônio: Lazer & Turismo, v. 6, n. 7, jul.-ago.-set./2009, p. 75-91
Revista Eletrônica Patrimônio: Lazer & Turismo - ISSN 1806-700X
Mestrado em Gestão de Negócios - Universidade Católica de Santos
www.unisantos.br/pos/revistapatrimonio


25 maio 2011

POLÍTICAS PÚBLICAS E GESTÃO DO PATRIMÔNIO: Conversando sobre Pelotas e Região


       Foi realizada nesta quarta-feira 25 de maio no auditório do MALG em Pelotas palestra com a Bacharel em direito e especialista em direito processual pela Universidade Católica de Pelotas e mestra em memória social e patrimônio cultural pela Universidade Federal de Pelotas Sra. Ivana Morales Peres assistente de promotoria da justiça especializada de Pelotas, palestrou sobre limitações ao direito de propriedade e efeitos na preservação do patrimônio cultural.
       A mestre em patrimônio cultural explanou como se deve agir juridicamente na proteção do bem cultural que trás consigo uma memória para a sociedade, contando exemplos vivênciados por ela frente a assistência da promotoria de justiça. Após a palestra esclareceu questões feitas pelos alunos. O ciclo de POLÍTICAS PÚBLICAS E GESTÃO DO PATRIMÔNIO é uma realização do Grupo PET Conservação e Restauro, Curso de Conservação e Restauro, Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Participe, semana próxima será a vez do palestrante Fábio Cerquera Vergara onde abordará um tema de grande importância Educação Patrimonial na cidade em Pelotas: ações para o patrimônio da cidade.

11 maio 2011

Sobre a carta patrimonial de Brasília - Julho 2010

     
 

Em 25 de julho de 2010, ocorreu a 34° sessão do comitê do patrimônio mundial em Brasília e em paralelo com este evento foi realizado o 1° fórum juvenil do patrimônio mundial. Com 46 jovens entre 18 e 24 anos de diferentes países, traziam consigo diversas realidades e um interesse em comum: O patrimônio.
     Com o intuíto de preservar o patrimônio atual e o que está se perdendo, através desse documento esses jovens mostraram seus interesses em salvaguardá-los. Com a finalidade de conseguir um espaço de ação e reflexão dos temas voltados ao patrimônio cultural e natural, fomentando as políticas de salvaguarda do patrimônio para que as discussões sejam permanentes e com amplo alcance e que se construa uma rede regional de educação patrimonial e de promoção do patrimônio cultural.
     Esse encontro objetivou oportunizar aos jovens um processo de desenvolvimento das habilidades e capacidades e que lhes permitissem identificar e realizar suas responsabilidades, sejam elas individuais ou coletivas na preservação e valorização do patrimonio cultural como um todo.
     Ainda podemos perceber uma idéia de que o indivíduo é o sujeito principal para valorização do patrimônio, este como formador de identidade, com participação ativa, desenvolvido junto a comunidade, também apoia um turismo responsável de caráter educativo, afim de divulgar e propagar a educação patrimonial e a inclusão social, visto que são os fatores que mais acrescentam para a preservação, visa a elaboração de um trabalho onde a comunidade deve se ver refletida, colocada como parte do contexto histórico, para que assim possa valorizá-lo .
     As propostas da carta no entanto refletem a modernidade, a adequação de leis patrimoniais a fatores atuais e a situação que se julga necessário no momento, como a participação ativa dos jovens no comitê do patrimônio mundial da UNESCO; a educação patrimonial nas escolas, desde o nível básico, agregando valores sociais e educativos que serão refletidos no futuro; respeito ao patrimônio, como seu acesso e usufruto; inclusão social, o patrimônio visto como de todos; a identificação e registro de todo tipo de patrimônio material e imaterial, para que não se perca nada que possa ser explicação e estudo a formação de identidade; a comunidade participando da gestão do bem, tornando-se assim mais próxima desse valor; para que um patrimônio seja considerado da humanidade para a UNESCO , exija-se uma educação patrimonial e inclusão social do mesmo; fortalecimento da rede juvenil, mediante ao apoio da UNESCO com ações efetivas.
     Esse jovens ratificaram alguns pontos essenciais com suas considerações e através disso reinvindicaram suas idéias e objetivos e ainda por fim firmaram um compromisso com a sociedade de cuidar e divulgar nosso patrimônio, também chamando a responsabilidade das autoridades no assunto.


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