Dois pedidos formais de tombamento devem chegar em breve ao Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), em Porto Alegre. O
diretor Eduardo Hahn esteve em Pelotas para visitar as construções: o
Castelo Simões Lopes - erguido em 1922 - e a residência, em estilo
neomourisco, que pertenceu a João Simões Lopes Neto, o maior autor
regionalista do Rio Grande do Sul. A proteção legal dos prédios seria
apenas um primeiro passo. Em ambos os casos, a restauração é urgente.
Fotos atuais e antigas, documentos, plantas, dados históricos. O
embasamento deve garantir a instrução dos processos. E, mesmo que o
tombamento venha, não é a solução, é só o início, alerta o diretor do
Iphae. No casarão da rua Santa Tecla o restauro, com verbas públicas ou
através das leis de Incentivo à Cultura, precisaria ser resultado de um
longo debate para indicar qual seria o uso do imóvel no futuro. Para
justificar o investimento público, no entanto, o bem privado teria de
ganhar utilização coletiva.
A ligação com Simões
O palacete, erguido na então rua Paissandu, 2, pertenceu a João Simões
Lopes Neto, filho de Catão Bonifácio e Teresa. É concreto. Uma certidão,
garimpada em cartório pelo simoneano Mogar Xavier, comprova: “A casa
foi adquirida por ele em 1896, aos 31 anos, e vendida em 1897, mas não
afirmaria que viveu no local”, diz.
Sem uma intervenção rápida, “será uma ruína muito em breve”, afirma o
historiador do Iphae, Robson Dutra. Cairiam mais do que forros com
ornamentos em madeira recortada, paredes com pintura mural ou a fachada
em estilo neomourisco. Poderia se perder parte da história, não apenas
da arquitetura.
Castelo Simões Lopes
Claraboia quebrada. Telhado desabado. Piso comprometido. Fungos nas
paredes. Aberturas deterioradas. Porta de entrada sem fechadura. É um
retrato do Castelo Simões Lopes, construído em 1922 por Augusto Simões
Lopes. O cenário é de abandono, apesar de a Guarda Municipal permanecer
de plantão no patrimônio adquirido pelo Executivo em 1991.
Nas mãos da prefeitura, a construção projetada pelo arquiteto alemão
Fernando Rullman, já foi Casa de Cultura e Centro de Atenção
Psicossocial (Caps). Hoje é síntese de saques e vandalismo. Sem qualquer
uso oficial.
Um recurso negociado com o Ministério da Saúde seria insuficiente para
cobrir a restauração. “Os cerca de R$ 400 mil daria praticamente só para
o telhado e a engenharia da Caixa Econômica, que é o gestor das obras
do governo, não aceitou fazer por etapas”, explica a secretária de
Saúde, Arita Bergmann. Um outro projeto deve, então, ser elaborado em
conjunto com a Secretaria de Cultura (Secult), com vistas a um Memorial
da Saúde Mental - sugere Arita.
Por: Michele Ferreira
Rethalhado de http://www.diariopopular.com.br