CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE BENS CULTURAIS

25 agosto 2011

NA MIRA DO RESTAURO: Estação férrea de Pelotas/RS

  Localizada no Largo de Portugal, foi construída em 1884, para servir à linha ferroviária Rio Grande – Pelotas – Bagé (tripé porto-charque-gado), foi implantada graças ao empenho do conselheiro Gaspar Silveira Martins.
  O prédio possui um salão principal onde temos a bilheteria e o acesso ao pátio dos trens. À esquerda funcionava a administração e, à direita, o setor de saúde ocupacional. O prédio possui 15 cômodos e no andar superior se encontra a residência do agente. Foi construída com três portas centrais, marquise de vidro, mansardas com oito janelas água-furtada, platibanda com balaústres de cimento, frontão central trabalhado, pinhas nas esquinas do telhado e das platibandas do andar superior.
  Foi inaugurada em 02 de dezembro de 1884, segundo jornal da época, "de forma fria e constrangedora", pois estava marcada apenas uma rápida parada dos trens na estação de Pelotas, o que foi reprovado pela comunidade que achou melhor não prestigiar os atos de inauguração. Mas, ao longo da ferrovia, houve muitas comemorações. A implantação da ferrovia e construção da estação repercutiu fortemente no desenvolvimento e no crescimento urbano de Pelotas. Logo se tratou da criação de uma rede viária capaz de ligar a estação ao resto da cidade, o que induziu o crescimento em direção ao "largo da estação".
Por volta de 1930, foram construídas duas laterais com porta e janelas, iguais para cada lado, mas sem mansardas, das quais foram retiradas as janelas, assim como as pinhas. A plataforma de embarque e desembarque é protegida por longa cobertura, estruturada a partir de "mãos-francesas" de ferro. O velho sino e o relógio, com duas faces, uma para dentro do saguão e outra para a plataforma de embarque, são originais no saguão de entrada (hoje foram retirados). A partir de janeiro de 1998, o imóvel foi abandonado, depredado e até incendiado. Hoje permanece assim, à espera de algum tipo de investimento que o recupere.











ACIMA: (esquerda) O pátio da estação, com o prédio ao fundo,no centro, em 1985. (direita) A mesma cena em 2007. O abandono após 22 anos é claríssimo (Fotos Alfredo Rodrigues).
 
                 Nota:
"O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) oficializou a cessão da estação férrea ao município de Pelotas, durante cerimônia realizada no salão nobre da prefeitura. Na mesma data, o prefeito Adolfo Antonio Fetter e o procurador da República Mauro Cichowiski dos Santos assinaram o Termo de Destinação de Verbas Judiciais para a Restauração e Instalação do PROCON e do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador no prédio. O prédio da Estação Férrea de Pelotas é tombado pela lei municipal nº 4.315 de 22 de Setembro de 1998 e inventariado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphe). Atualmente há um projeto que visa a requalificação do prédio e do seu entorno, em busca de abrigar o Centro de Referências em Saúde do Trabalho Macrorregião Sul (Cerest) e o PROCOM. O projeto propõe a revitalização completa do prédio.
  O projeto de Recuperação e Reciclagem da Estação Férrea de Pelotas, desenvolvido pelas secretarias de Gestão Urbana (SGU) e Cultura e aprovado pelo Iphan, prevê a demolição e remoção das interferências não originais e a restauração das características tipológicas do conjunto. Além de restaurar totalmente importante símbolo da memória dos belgas, construtores da malha ferroviária, proporcionará mais espaço para as atividades do Procon e do Cerest e amplo estacionamento. O projeto está estimado em cerca de R$ 1,5 milhão – proveniente do Ministério Público Federal (MPF) e do Cerest -, mas Xavier esclarece que o valor pode mudar, uma vez que depende das variações de preços."

1884 – Estação de Pelotas na época de sua inauguração. Foto cedida por Wanderley Duck

1969 – Ainda com movimento de locomotivas a vapor. Foto cedida por Antonio A. Gorni



2003 – As duas fotos acima já mostra a estação totalmente abandonada. Foto Rodrigo Cabredo


"Depois de tantos carnavais, descaso e destruição a sociedade Pelotense aguarda um desfecho digno a sua estação ferroviária!! Esperamos que o mais breve possível."

 Agradescimentos pela matéria:
 Alexandra Viana;Andréia Conceição;Bruna Cardoso;Cintia Silva;Daniela Pierobom.
 *http://www.defender.org.br/pelotasrs-estacao-ferrea-tem-nova-destinacao
 *http://www.estacoesferroviarias.com.br/rs_bage_riogrande/pelotas.htm

17 agosto 2011

Palestra: ICONOLOGIA – CIÊNCIA E IMAGINAÇÃO - UFPEL - PELOTAS/RS

Nesta sexta-feira dia 19 de agosto às 14:30h será proferida palestra sobre Iconologia e Iconografia pelo Prof. Dr. Francisco Marshall (UFRGS). O evento, que é  gratuito, será no auditório do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo – MALG e tem organização da profa. Me. Luíza Carvalho.
ICONOLOGIA – CIÊNCIA E IMAGINAÇÃO
A partir da obra de Aby Warburg (1866-1929), fundou-se nova escola de história da arte e de interpretação da visualidade, a Iconologia. Narrativa de imagens, a Iconologia oferece métodos, repertórios temáticos e questões de história da cultura ao estudo de acervos visuais. Nesta conferência, veremos na gênese desta escola a rica relação entre ciência e imaginação, e as possibilidades contemporâneas da Iconologia, em seus cruzamentos com a semiótica, a história da arte e a história cultural.
Francisco Marshall: Licenciado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1988) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (1996), Francisco Marshall realizou pós-doutorado na Princeton University (NJ, EUA, 1998), como bolsista Capes-Fulbright, convidado de Peter Brown, e na Ruprecht-Karls-Universität Heidelberg (Alemanha, 2008-9), como bolsista da Fundação Alexander von Humboldt. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuando no Depto. e PPG História (IFCH) e no PPG Artes Visuais (IA). Tem experiência nas áreas de História e de Arqueologia Clássica, com ênfase em História Antiga e Medieval, atuando principalmente em história antiga, arqueologia clássica, museologia, iconologia, estudos do imaginário e história da cultura.
APOIO: Mestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural e Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo.
Serviço:
Evento: Palestra com o Prof. Dr. Francisco Marshall (UFRGS) sobre Iconologia e Iconografia.
Local:  Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo – MALG
Dia: 19/08/2011
Horário: 14:30h

INSCRIÇÃO PELO TELEFONE (53) 32223209

16 agosto 2011

Pesquisa da UFPel resgata memória das Carruagens fúnebres em Pelotas/RS

    Terra dos charqueadores, da cultura e dos casarões. Pelotas. Princesa do Sul. Cidade que agora resgata o passado com a restauração dos prédios históricos. As carruagens fúnebres também são parte importante deste processo. Até a década de 70, do século 20, estes carros, ricos em adornos, ainda faziam o cortejo dos mortos até o campo santo.
    A história da arte funerária de Pelotas não está apenas nos cemitérios e nas marmorarias, também pode ser encontrada nestas carruagens ou antigos carros fúnebres, um branco e outro preto, que eram utilizadas pelas famílias mais abastadas da cidade para o cortejo até o cemitério São Francisco de Paula, onde seriam sepultados os seus mortos.
   Com a finalidade de resgatar a memória das carruagens fúnebres e parte da história da sociedade pelotense, a formanda do curso de Bacharelado em Conservação e Restauro de Bens Culturais Móveis, do Instituto de Ciências Humanas, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Luciane dos Santos Machado, desenvolve o trabalho de conclusão de curso sobre o tema A presença de iconografia maçônica nos ornatos das carruagens fúnebres de Pelotas, com a orientação da professora Luíza Fabiana Neitzke de Carvalho.
Saiba mais sobre o trabalho de Luciane, o projeto de Restauro de Peças do Acervo Sacro do Museu da Baronesa e muito mais, na matéria especial completa que está na edição impressa do Diário Popular desta terça-feira (16/8/2011).

Por: Jussara Lautenschläger
jussara@diariopopular.com.br

11 agosto 2011

O papel do Conservador/restaurador na sociedade

    O profissional que trabalha com a conservação e restauração de bens culturais pode realizar processos muitas vezes irreversíveis, como é o caso da retirada de retoques não originais em pinturas, que seriam posteriores as pinceladas feitas originalmente pelo próprio artista que a executou. O conservador/restaurador pode trabalhar com obras sobre papel, tela, madeira, metais, materiais pétreos e cerâmicos, dentro de um grande número de possibilidades, no que diz respeito a técnicas, processos e materiais, não limitando a sua atuação somente sobre obras de arte, mas também se voltando para bens arqueológicos, livros e documentos, e outros tipos de bens culturais.
     Para a realização da atividade de conservação e restauração, pode-se afirmar que é preciso conhecer de forma ampla as obras de arte e demais tipos de bens patrimoniais, na integridade do seu valor cultural. Cabe ao conservador/restaurador (re)conhecer as características físicas de uma determinado bem cultural, desde a sua tecnologia de construção, aos materiais e técnicas que o constituem, além do próprio estado do conservação da peça e de suas possíveis causas de deterioração. Somente de posse desses dados é que o conservador/restaurador se vê possibilitado para determinar um tratamento de conservação, ou mesmo de restauração.
    A formação do conservador/restaurador deve ser suficientemente ampla, a ponto de torná-lo apto para avaliar uma peça a ser trabalhada, em suas diferentes especificidades ou aspectos,tais como suas dimensões: material, técnica, formal, estilística e iconográfica. O conservador/restaurador deve avaliar o estado de conservação de uma peça e reconhecer as causas da sua deterioração, para que no momento em que tem a autonomia para estabelecer os critérios de uma intervenção de restauro, por exemplo, possa utilizar um conhecimento teórico-prático coerente com o exercício destes procedimentos.
    É recorrente o conservador/restaurador partir de seus conhecimentos específicos, em direção as questões da História da Arte, da Biologia, da Química, da Física, e de outras áreas do conhecimento. Dada a complexidade em que muitas vezes se depara um profissional da área da conservação, por conta de casos graves de falta de conservação de determinado bem cultural, pode ser necessário avaliar aprofundadamente uma peça, utilizando exames laboratoriais, ou realizando uma análise estilística, chegando mesmo a casos em que é necessária uma equipe com profissionais de diferentes áreas para efetuação de um trabalho verdadeiramente interdisciplinar.

10 agosto 2011

Por que preservar, conservar e restaurar?

O texto é parte do Caderno do Professor, do Calendário Museológico produzido
pela Superintendência de Museus do Estado de Minas Gerais, em 2005,
para o trabalho de difusão cultural junto às escolas públicas e particulares do estado.


Gilca Flores de Medeiros
A importância de conservar um objeto que consideramos parte de um patrimônio está no fato deste se constituir registro material da cultura, da expressão artística, da foram de pensar e sentir de uma comunidade em determinada época e lugar, um registro de sua história, dos saberes, das técnicas e instrumentos que utilizava.
Para termos esse registro da cultura é imprescindível a existência de um suporte material, como um objeto, uma construção ou um documento. Mesmo em relação aos bens intangíveis – como tradições orais, festas folclóricas, etc. – é necessário que sejam registrados em algum material: fotos, vídeos, cd e outros. Esses suportes, embora não sejam os bens culturais em si, guardarão seu registro e necessitarão ser igualmente preservados.
O profissional conservador/restaurador atua em três níveis: o da preservação, o da conservação e o da restauração. Somente uma ação integrada poderá oferecer resultados verdadeiros e duradouros, uma vez que de nada adianta, por exemplo, restaurar o interior de uma igreja sem que se consertem as falhas do telhado ou se realizem ações de conscientização da comunidade para reduzir o número de atos de vandalismo.
Para avaliar as condições de uma obra e atuar direta ou indiretamente, em sua preservação/conservação/restauração, o conservador-restaurador deve ter conhecimento de diversas áreas, como História, Física, Química, Artes, Biologia e Geografia, dentre outras e, muitas vezes, trabalhará ao lado de profissionais dessas áreas, já que a interdisciplinaridade torna-se cada vez mais necessária neste campo de atuação.

Preservação, Conservação e Restauração
A Preservação engloba, de maneira mais ampla, todas as ações que beneficiam a manutenção do bem cultural. Se tomarmos como exemplo uma imagem barroca, podemos considerar ações de preservação até mesmo as leis criadas para garantir a integridade do patrimônio, os mecanismos para viabilizar a realização de projetos de restauração, o cuidado com o meio ambiente que circunda o local ou ações como o desvio do trânsito para evitar a trepidação do prédio onde a obra se encontra. Enfim, todas as ações que colaboram para garantir a integridade do bem que se deseja preservar.
A ação de Conservação, embora possa realizar-se diretamente na matéria do objeto, não se limita a ela. A conservação visa interromper os processos de deterioração, conferindo estabilidade à obra. Para esse fim, atua sobre os aspectos que cercam e
influenciam a conservação do objeto, controlando os agentes que podem provocar a deterioração do bem cultural, como os biológicos (cupins, fungos, etc.), atmosféricos (temperatura e umidade), luz (natural, artificial), poluentes e o ser humano (manuseio, acondicionamento e transporte inadequados, vandalismos e roubo). Ao atuar diretamente na obra, enfocará a estabilidade da peça a ser conservada, buscando resolver seus problemas estruturais e recuperando sua integridade.
A Restauração atua sobre um objeto buscando não apenas conferir-lhe estabilidade, mas recuperar, o mais possível, as informações nele contidas. Imagine que, ao ser realizada, uma escultura possua cem por cento das informações nela contidas: sua aparência (cores, forma, textura, brilho), seus materiais constitutivos, etc. Com o passar do tempo, ou pro condições inadequadas de conservação, ou ainda, por atos de vandalismos, a obra pode ter perdido parte de sua matéria ou pintura. Neste caso, a ação de conservação buscará cessar as causas de deterioração e procurará dar estabilidade à obra, enquanto que a restauração irá mais além, buscando aproximar, o mais possível, a obra, estrutural e esteticamente, da ‘quantidade inicial de informações’.
Todo trabalho de restauração deve basear-se em referências contidas na própria obra ou, em alguns casos, em documentação segura sobre a mesma. O respeito ao original é fundamental e delineia os limites das intervenções. Algumas vezes o nível de deterioração de um bem cultural chega a um ponto tão grave, que inviabiliza sua recuperação estética, por falta de referências sobre as quais realizar o trabalho de restauração. O ideal é que todo bem cultural seja mantido em boas condições de conservação, para que não chegue a necessitar de restauração.

Nosso Patrimônio
Mas não é só o patrimônio artístico e histórico que merece cuidado. Todos nós temos à nossa volta um patrimônio que conta nossa história. Se olharmos com atenção em nossa casa, reconheceremos nosso patrimônio familiar: fotos que registram a história da família, objetos, documentos, hábitos, tradições e saberes.
Um instrumento usado por nosso avô, o diploma de nossa formatura, a foto daquele aniversário, um postal que recebemos de um amigo ou a foto de parentes que nem chegamos a conhecer, são exemplos de recordações de vida de nossa família e merecem ser preservados. Para isso, guardamos as fotos em um álbum, cuidamos de não dobrar ou amassar o diploma, limpamos periodicamente os objetos. A preservação desses objetos é a preservação da memória de nossa família e nos permitirá contá-la aos que virão.
A escola também é um patrimônio que precisa ser preservado: o prédio, as carteiras, os livros, etc. O conhecimento contido em um livro é o resultado do trabalho de muitas pessoas, que pesquisaram, desenvolveram teorias e métodos, a fim de facilitar a transmissão do conhecimento.
E quanta coisa os livros nos ensinam! Pequenos cuidados na hora de retirá-los da estante (não puxá-los pela borda superior, mas afastar os livros vizinhos, segurar o livro com firmeza e retirá-lo), ao manuseá-los (não umedecer os dedos com saliva,
não rabiscar ou dobrar páginas) podem significar muito na conservação desse objeto tão precioso. Também a imagem do prédio de uma escola revela muito sobre os valores e o comportamento da comunidade na qual está inserido. O cuidado com as carteiras e salas de aulas pode refletir o grau de identificação e envolvimento dos alunos com sua escola. A mesma atenção devem receber os arquivos da escola e o material que será produzido nas atividades propostas pelo calendário.
É mais fácil compreendermos uma idéia ampla se a assimilamos em nosso cotidiano, nas pequenas coisas. A importância de se preservar o patrimônio que vemos nos museus tem o mesmo significado da preservação de nosso patrimônio familiar e comunitário, apenas com sentido mais ampliado: essas instituições guardam bens significativos para uma cidade, um país ou toda a humanidade.

03 agosto 2011

Ministério Público Federal quer paralisação das obras do Maracanã

O Ministério Público Federal entrou nesta segunda-feira na Justiça com uma ação civil pública pedindo a paralisação imediata das obras de reforma da marquise do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, no Rio de Janeiro. A ação solicita ainda a reconstrução da marquise antiga, que está sendo demolida.
O Ministério Público pede que a Justiça aplique uma multa diária de R$ 500 mil caso a Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) continuem com a obra. Outra multa diária, de R$ 1 milhão, é solicitada caso a marquise não seja reconstruída.
O Ministério Público baseia a ação no fato de que o Maracanã ser tombado pelo Iphan em 2000, o que impediria modificações radicais, como as que estão sendo feitas para a Copa do Mundo de 2014.
O procurador Maurício Andreiuolo, autor da ação, também quer que o Iphan e a Emop reedifiquem as partes já demolidas com a adequação da obra à preservação da marquise – sob pena de multa diária de R$ 1 milhão. Caso não seja possível a reconstrução por questões técnicas, o MPF pede que seja construída nova marquise similar à atual com a condição de efeito suspensivo caso a obra não atenda às especificações do bem tombado.

Para o Ministério Público, obras no Maracanã descaracterizam estádio tombado pelo Iphan
Para o Ministério Público, obras no Maracanã descaracterizam estádio tombado pelo Iphan

A Emop informou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda não foi notificada sobre a ação do Ministério Público. Já o Iphan, que autorizou as modificações no Maracanã, discorda do MPF.
Segundo a assessoria de imprensa do instituto, o Maracanã não foi tombado pela arquitetura, mas pela importância etnográfica, isto é, por ser palco de uma manifestação cultural brasileira. Sendo assim, não há motivo para impedir as mudanças no estádio, por mais radicais que sejam.
Para o Iphan, as alterações do estádio são importantes para que ele continue sendo usado pela população e, assim, justifique seu tombamento etnográfico. A assessoria de imprensa do órgão lembra que já foram feitas outras modificações importantes no estádio em anos anteriores, como o fim da geral e a colocação de cadeiras nas arquibancadas.

Rethalhado de http://www.jb.com.br

21 julho 2011

Professora Andréa Bachettini da UFPel é eleita presidente da ACOR-RS

A professora do Departamento de Museologia e Conservação e Restauro do Instituto de Ciências Humanas da UFPel, Andréa Lacerda Bachettini, foi eleita presidente da Associação dos Conservadores e Restauradores de Bens Culturais do Rio Grande do Sul (ACOR-RS), para o biênio 2011-2013.
Fundada em 8 de julho de 2003, a ACOR-RS é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, espaço de discussão alicerçado na ética e na construção de propostas para dignificar a prática da conservação e restauração e proteger, como órgão da categoria, os profissionais conservadores e restauradores de bens culturais do Estado, como está previsto no seu estatuto.
A eleição aconteceu na última sexta-feira(15), durante Assembleia Geral da entidade, realizada no auditório do Museu de Arte do Rio Grande do Sul - Ado Malagoli - (Margs), em Porto Alegre.
A assembléia foi conduzida pela presidente do biênio 2009-2011, Lorete Mattos (restauradora de obras raras da Biblioteca da UFRGS) e pela secretária Loreni de Paula (restauradora do Margs). Foram apresentados o relatório de atividades e a prestação de contas da última gestão. A posse está prevista para 30 dias após a eleição.
Nova diretoria da ACOR-RS, biênio 2011-2013:
Presidente: Andréa Lacerda Bachettini, DMCOR/ICH/UFPel; Vice- Presidente: Naida Maria Vieira Corrêa, Margs, Sedac, RS/Restauratus; 1° Secretária: Loreni Pereira de Paula, Margs/Sedac,RS; 2° Secretária: Ângela Macalossi; Mestranda/UFPel; Tesoureiro: Fellippe de Moraes, Autônomo. Conselho Consultivo: Mariana Gaelzer Werthaimer, Autônoma; Daniele Baltz da Fonseca, DMCR/ICH/UFPel; Silvana Bojanoski, DMCR/ICH/UFPel; Denise Stumvoll, MCS/ Sedac, RS; Roberto Luiz Sawiztki, Iphae/ Sedac, RS. Conselho Fiscal: Vera Zugno, Autônoma; Luis Fernado Rhoden, IPhan,RS; Keli Cristina Scolari, DMCR/ICH/UFPel. Conselho Técnico: Lorete Mattos, UFRGS.

15 julho 2011

Ambiente e Conservação - ILUMINAÇÃO DE MUSEUS, GALERIAS E OBJETOS DE ARTE PROGRAMA

PROJETOS DE ILUMINAÇÃO – MUSEUS E GALERIAS DE ARTE por Luís Antônio Greno Barbosa.

Para acessar click no selo (pdf)




Rethalhado de http://www.iar.unicamp.br/

04 julho 2011

TEORIAS DA RESTAURAÇÃO ( Cesare Brandi)

  Cesare Brandi (1906-1988) é um dos principais nomes do restauro moderno. Em 1966 escreveu a Teoria da restauração, obra baseada nas diretrizes da Carta de Atenas, muitas vezes classificada como um texto teórico e pouco prático.
   Os teóricos do século XIX e início do XX se empenharam em classificar o que deve ou não deve ser restaurado com o objetivo de evitar que as intervenções pudessem causar mais danos do que o próprio tempo. Pensavam o restauro como uma ciência exata, com regras e métodos cientificamente determinados, prevalecendo o caráter histórico das obras.
  Após a Segunda Guerra Mundial, diversos monumentos foram destruídos. Nesse contexto, Brandi teve grande destaque, participando do restauro de inúmeras obras de arte; diante da falta de sistematização de procedimentos, começou a pensar no que seria sua Teoria da restauração, com o objetivo de delimitar regras que embasassem a prática do restaurador.
  Diante de tamanha destruição, o caráter artístico não pôde mais ser colocado em segundo plano, já que a fruição da obra-de-arte está relacionada à observação de sua imagem figurativa somada ao caráter histórico. É este aspecto que diferencia a obra-de-arte de outros produtos da ação humana. Brandi afirmava que “restaura-se somente a matéria da obra-dearte” (BRANDI, 2004, p. 31), já que o restaurador só atuará nesse nível e uma obra se manifesta por meio da matéria que, por sua vez, é o que degrada.
  Conhecendo o objeto já em estado deteriorado, não é possível ter certeza de como havia sido quando novo, sendo necessária uma intervenção baseada no estado em que se encontra quando restaurado e não no que se pensa ter sido seu “estado original”, o que levaria o espectador a incorrer em um erro de interpretação. Brandi chamou isso de “falso histórico”. Para Brandi, “(...) a restauração deve visar ao restabelecimento da unidade potencial da obra-de-arte, desde que isso seja possível, sem cometer um falso artístico ou um falso histórico, e sem cancelar nenhum traço da passagem da obra-de-arte no tempo” (BRANDI, 2004, p. 33). Segundo suas teorias, as intervenções deveriam se guiar por uma crítica de valor em relação ao significado histórico do objeto, limitada pelo estado físico em que se encontra a obra-de-arte e sustentada por um vasto conhecimento técnico, estilístico, filosófico e histórico, não podendo depender do gosto particular do restaurador. Ele estabeleceu ainda que as intervenções deveriam tornar os acréscimos facilmente reconhecíveis, mesmo para um leigo, e que fossem reversíveis, permitindo sua retirada em caso de uma eventual intervenção futura.
  A principal marca da obra de Brandi é o rigor crítico-cultural que situa o ato de restauro como responsável pelas futuras interpretações estilísticas e históricas da obra-de-arte. Se for executada sem critérios, a restauração pode causar danos à obra que irão perpetuar-se por várias gerações.
  A partir dessas teorias, a preservação do patrimônio cultural, em suas diversas formas e aspectos, consolidou seu espaço na sociedade contemporânea, contribuindo para a democratização no acesso e na fruição da cultura.


Por  CHRISTIANA ARRUDA LEE DA ROCHA em Monografia "O LIVRO COMO OBRA-DE-ARTE:
CRITÉRIOS TEÓRICOS PARA CONSERVAÇÃO DE OBRAS RARAS" - http://www.bn.br/portal/arquivos/pdf/ChristianaRocha.pdf  -  Rio de Janeiro / Brasil 2008

30 junho 2011

LEIA ON LINE: DA RUINA AO EDIFICIO: NEOGOTICO, REINTERPRETAÇAO E PRESERVAÇAO DO PATRIÔNIO Por Cristina Meneguello

O presente trabalho, ao estudar o revival gótico e o medievalismo presentes na história, na arquitetura e nas artes da Inglaterra do século XIX, examina as estratégias de interpretação do passado histórico presentes na cidade industrial. Analisando o paradigma da cidade de Manchester como a cidade industrial por excelência, este trabalho observa a criação de um discurso sobre o passado local, intensificado quando da edificação da nova prefeitura da cidade e das escavaçóes das ruínas romanas em sua região central. Procede-se a uma análise do movimento neogótico, a partir da historiografia da época e posterior, questionando as idéias de sobrevivência, de revival e de historicismo na arquitetura. Centrando-se nas figuras de A.W.N.Pugin, John Ruskin e William Morris, o presente trabalho observa identidades entre o revival e o movimento Arts and Crafts, especialmente na questão do ornamento e da celebração da habilidade do artífice. Por fim, considerando-se o neogótico e o medievalismo em sua forma mais ampla, oferece-se uma explicação que se move em duas frentes: a criação das cidades de industriais e das cidades-jardim entendidas como um retorno à idéia de comunidade medievalizada que projeta o passado para o futuro; e o surgimento das primeiras sociedades de preservação do patrimônio na Inglaterra, atribuindo significados históricos à sua aversão ao restauro dos edificios e à sua defesa do passado tangível das ruínas, as quais indicam a permanência do passado no presente.

LEIA ON LINE EM : http://tinyurl.com/62o79nq

29 junho 2011

Viver, lembrar, esquecer

   A questão do esquecimento nas sociedades atuais será o tema central do 5º Seminário Internacional em Memória e Patrimônio, organizado pela UFPel. Que este ano será realizado de 5 a 7 de outubro.
   O Esquecimento vem sendo estudado no século XX em relação com o genocídio judaico. As revelações sobre o Holocausto mostraram à humanidade um “dever de lembrar”, especialmente quando há crimes considerados imprescritíveis, ou seja, cujo julgamento nunca deveria ser arquivado.
  Mesmo quando as recordações chegam à consciência com agrado, é possível que o esquecimento tenha também sua função mental. Os vazios da memória são na verdade defesas que ajudam a tirar do pensamento aqueles momentos que não foram aceitos ou compreendidos.
  Portanto, a pessoa não lembra o que aconteceu e não consegue desenvolver-se na vida e construir um futuro. Trata-se de um tema a ser integrado com a psicologia e os estudos sobre a dor e a felicidade.
  Na foto maior, reproduzida do Quiosque Nelson Nobre, o Laranjal nos anos 50. Hoje, vemos carros bem diferentes, pavimento, calçadão novo, mais artifícios. A areia será a mesma? E as palmeiras? Algumas pessoas podem ainda estar vivas; talvez várias já faleceram. Terão sido esquecidas?
  Alguns dos painéis temáticos do V SIMP e seus coordenadores:
  • Literatura, memória e trauma - Aulus Martins
  • Fotografia e Esquecimento ou a “imagem sem imaginação” - Francisca Michelon
  • Lembrar, esquecer, narrar - Carla Gastaud
  • A conservação e restauração do patrimônio cultural como resgate da memória - Andréa Bachettini
  • Museus e acessibilidade: ser visto para não ser esquecido - Francisca Michelon e Nóris Pacheco Leal
  • Memória e esquecimento: por entre traços, rastros, cicatrizes e sombras - Denise Busoletti
  • Arte e memória: visualidade entre-silêncios - Ursula Rosa da Silva 
Rethalhado do blog: http://pelotascultural.blogspot.com/

Charque x doce de Manoel Magalhães- Pelotas/RS

                                           Acrílica s/ "Charque ao sol" By Manoel Magalhães
 Pelotas está mudando a olhos vistos. Um passeio pelo coração da cidade (Pça. Coronel Pedro Osório), graças ao Projeto Monumenta, programa de recuperação do patrimônio cultural urbano brasileiro, executado pelo Ministério da Cultura e financiado pelo BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento, antigos casarões que estavam fadados a desabarem, hoje voltam a encantar turistas e pelotenses.
 Isso não quer dizer, entretanto, que devamos fechar os olhos à realidade. Esses monumentos foram erguidos pelos barões do charque, utilizando-se mão escrava. Muito sangue e suor têm meio aos tijolos. Acaso apuremos os ouvidos, nos dias ventosos conseguimos ouvir o lamento das senzalas, que ficavam no porão das construções.
 O fausto da Pelotas antiga ainda se sobrepõe aos esforços que cidade faz para modernizar-se. Esses casarões, ícones da falida nobreza pelotense, mercê do trabalho de restauração, ganham fôlego nas ruas da cidade, levando-nos a inúmeras reflexões. Dentre essas, uma advém de antigo ditado, que se pode interpretar como sendo, quem sabe, superstição.
 Nossos pais e avós, diante de um saleiro virado, vendo o sal esparramado no chão, diziam referentemente: joguem açúcar em cima. Portanto, amigos, eis a questão. Quanto açúcar terá de ser jogado sobre a cidade para adoçar a quantidade de sal que, ao longo dos anos, foi jogado sobre a carne, processo de salinização, transformando-a em charque?
Não será pouco, evidentemente. Para os descrentes talvez isso nem seja possível, pois haja açúcar para adocicar o passado pelotense, cuja riqueza foi amealhada graças ao sal, gado, suor e sangue derramado pelos escravos.
 A Feira Nacional do Doce  (Fenadoce),  que ora se realiza no Centro de Eventos, por certo minimiza um pouco o carma da Princesa, cuja expressão é melancólica. Percebe-se que ano após ano o festejo ganha fôlego, levando o nome de Pelotas além de nossas fronteiras. Muitos, aliás, têm esperança de que o açúcar, assim como ocorrera com o sal no passado, transforme-se no produto que desenvolverá a cidade.
Outros tantos, porém, disso duvidam, não por serem descrentes, mas porque acreditam no antigo hábito da cidade dos barões de puxar o freio de mão quando solicitada a enfiar a mão na guaiaca e investir nela mesma. Caxias do Sul e Gramado, por exemplo, terras de empreendedores, transformaram-se em modelo de cidades, onde o passado perde força diante da energia do presente, correndo na direção de faustoso futuro.
 Evidentemente que privilegiar o conjunto arquitetônico pelotense, transformando-o num museu a céu aberto é inteligente. A Casa do Lago, recentemente inaugurada, funcionando como posto turístico demonstra vontade de acertar, dando informações preciosas aos turistas, e turismo incentivado significa lucro à rede hoteleira, aos restaurantes, alavancando a estima de Pelotas. Mas só isso não basta para colocar a cidade num patamar privilegiado.
Os pelotenses atentos – e turistas igualmente, não desmerecem o que está sendo feito, mas têm certeza de que a cidade, para chegar ao nível das cidades serranas, tem um longo caminho pela frente.
 É inegável o crescente empobrecimento de Pelotas considerando-se o número de sem-tetos que se vê pelas ruas, tendo nos calcanhares matilhas de cães não menos abandonados. O crescimento da atividade informal, igualmente, agiganta-se em razão da pouca oferta de emprego e, também, pela carência de qualificação profissional. Aos poucos os camelôs começam a tomar conta outra vez do Calçadão da Andrade Neves, enfeiando-o.
 Pelotas vive um bom momento, sim, mas uma chuva de açúcar sobre o sal que se acumulou no imaginário pelotense por anos a fio pouco adiantará se a mão que entrar na guaiaca sair vazia.
 Para que isso ocorra é imprescindível mudanças de paradigmas. Os “poderosos” da terra terão de aprender a olhar o entorno com generosidade, conferindo-lhe beleza urbanística, valorização do patrimônio histórico, e dotando a cidade de infraestrutura digna, arrancando-a em definitivo do passado. Passado que de quando em quando se maquia – sobretudo nos festejos - mas, como todos sabem a maquiagem dura pouco.
 Ano que vem Pelotas completa 200 anos. O que prevalecerá? O sal que os anos acumularam em nosso inconsciente ou o açúcar que, dia após dia, ganha importância na cidade, com pretensões de mudar nosso paradigma histórico? 

Manoel Magalhães
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