CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE BENS CULTURAIS

30 junho 2011

LEIA ON LINE: DA RUINA AO EDIFICIO: NEOGOTICO, REINTERPRETAÇAO E PRESERVAÇAO DO PATRIÔNIO Por Cristina Meneguello

O presente trabalho, ao estudar o revival gótico e o medievalismo presentes na história, na arquitetura e nas artes da Inglaterra do século XIX, examina as estratégias de interpretação do passado histórico presentes na cidade industrial. Analisando o paradigma da cidade de Manchester como a cidade industrial por excelência, este trabalho observa a criação de um discurso sobre o passado local, intensificado quando da edificação da nova prefeitura da cidade e das escavaçóes das ruínas romanas em sua região central. Procede-se a uma análise do movimento neogótico, a partir da historiografia da época e posterior, questionando as idéias de sobrevivência, de revival e de historicismo na arquitetura. Centrando-se nas figuras de A.W.N.Pugin, John Ruskin e William Morris, o presente trabalho observa identidades entre o revival e o movimento Arts and Crafts, especialmente na questão do ornamento e da celebração da habilidade do artífice. Por fim, considerando-se o neogótico e o medievalismo em sua forma mais ampla, oferece-se uma explicação que se move em duas frentes: a criação das cidades de industriais e das cidades-jardim entendidas como um retorno à idéia de comunidade medievalizada que projeta o passado para o futuro; e o surgimento das primeiras sociedades de preservação do patrimônio na Inglaterra, atribuindo significados históricos à sua aversão ao restauro dos edificios e à sua defesa do passado tangível das ruínas, as quais indicam a permanência do passado no presente.

LEIA ON LINE EM : http://tinyurl.com/62o79nq

29 junho 2011

Viver, lembrar, esquecer

   A questão do esquecimento nas sociedades atuais será o tema central do 5º Seminário Internacional em Memória e Patrimônio, organizado pela UFPel. Que este ano será realizado de 5 a 7 de outubro.
   O Esquecimento vem sendo estudado no século XX em relação com o genocídio judaico. As revelações sobre o Holocausto mostraram à humanidade um “dever de lembrar”, especialmente quando há crimes considerados imprescritíveis, ou seja, cujo julgamento nunca deveria ser arquivado.
  Mesmo quando as recordações chegam à consciência com agrado, é possível que o esquecimento tenha também sua função mental. Os vazios da memória são na verdade defesas que ajudam a tirar do pensamento aqueles momentos que não foram aceitos ou compreendidos.
  Portanto, a pessoa não lembra o que aconteceu e não consegue desenvolver-se na vida e construir um futuro. Trata-se de um tema a ser integrado com a psicologia e os estudos sobre a dor e a felicidade.
  Na foto maior, reproduzida do Quiosque Nelson Nobre, o Laranjal nos anos 50. Hoje, vemos carros bem diferentes, pavimento, calçadão novo, mais artifícios. A areia será a mesma? E as palmeiras? Algumas pessoas podem ainda estar vivas; talvez várias já faleceram. Terão sido esquecidas?
  Alguns dos painéis temáticos do V SIMP e seus coordenadores:
  • Literatura, memória e trauma - Aulus Martins
  • Fotografia e Esquecimento ou a “imagem sem imaginação” - Francisca Michelon
  • Lembrar, esquecer, narrar - Carla Gastaud
  • A conservação e restauração do patrimônio cultural como resgate da memória - Andréa Bachettini
  • Museus e acessibilidade: ser visto para não ser esquecido - Francisca Michelon e Nóris Pacheco Leal
  • Memória e esquecimento: por entre traços, rastros, cicatrizes e sombras - Denise Busoletti
  • Arte e memória: visualidade entre-silêncios - Ursula Rosa da Silva 
Rethalhado do blog: http://pelotascultural.blogspot.com/

Charque x doce de Manoel Magalhães- Pelotas/RS

                                           Acrílica s/ "Charque ao sol" By Manoel Magalhães
 Pelotas está mudando a olhos vistos. Um passeio pelo coração da cidade (Pça. Coronel Pedro Osório), graças ao Projeto Monumenta, programa de recuperação do patrimônio cultural urbano brasileiro, executado pelo Ministério da Cultura e financiado pelo BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento, antigos casarões que estavam fadados a desabarem, hoje voltam a encantar turistas e pelotenses.
 Isso não quer dizer, entretanto, que devamos fechar os olhos à realidade. Esses monumentos foram erguidos pelos barões do charque, utilizando-se mão escrava. Muito sangue e suor têm meio aos tijolos. Acaso apuremos os ouvidos, nos dias ventosos conseguimos ouvir o lamento das senzalas, que ficavam no porão das construções.
 O fausto da Pelotas antiga ainda se sobrepõe aos esforços que cidade faz para modernizar-se. Esses casarões, ícones da falida nobreza pelotense, mercê do trabalho de restauração, ganham fôlego nas ruas da cidade, levando-nos a inúmeras reflexões. Dentre essas, uma advém de antigo ditado, que se pode interpretar como sendo, quem sabe, superstição.
 Nossos pais e avós, diante de um saleiro virado, vendo o sal esparramado no chão, diziam referentemente: joguem açúcar em cima. Portanto, amigos, eis a questão. Quanto açúcar terá de ser jogado sobre a cidade para adoçar a quantidade de sal que, ao longo dos anos, foi jogado sobre a carne, processo de salinização, transformando-a em charque?
Não será pouco, evidentemente. Para os descrentes talvez isso nem seja possível, pois haja açúcar para adocicar o passado pelotense, cuja riqueza foi amealhada graças ao sal, gado, suor e sangue derramado pelos escravos.
 A Feira Nacional do Doce  (Fenadoce),  que ora se realiza no Centro de Eventos, por certo minimiza um pouco o carma da Princesa, cuja expressão é melancólica. Percebe-se que ano após ano o festejo ganha fôlego, levando o nome de Pelotas além de nossas fronteiras. Muitos, aliás, têm esperança de que o açúcar, assim como ocorrera com o sal no passado, transforme-se no produto que desenvolverá a cidade.
Outros tantos, porém, disso duvidam, não por serem descrentes, mas porque acreditam no antigo hábito da cidade dos barões de puxar o freio de mão quando solicitada a enfiar a mão na guaiaca e investir nela mesma. Caxias do Sul e Gramado, por exemplo, terras de empreendedores, transformaram-se em modelo de cidades, onde o passado perde força diante da energia do presente, correndo na direção de faustoso futuro.
 Evidentemente que privilegiar o conjunto arquitetônico pelotense, transformando-o num museu a céu aberto é inteligente. A Casa do Lago, recentemente inaugurada, funcionando como posto turístico demonstra vontade de acertar, dando informações preciosas aos turistas, e turismo incentivado significa lucro à rede hoteleira, aos restaurantes, alavancando a estima de Pelotas. Mas só isso não basta para colocar a cidade num patamar privilegiado.
Os pelotenses atentos – e turistas igualmente, não desmerecem o que está sendo feito, mas têm certeza de que a cidade, para chegar ao nível das cidades serranas, tem um longo caminho pela frente.
 É inegável o crescente empobrecimento de Pelotas considerando-se o número de sem-tetos que se vê pelas ruas, tendo nos calcanhares matilhas de cães não menos abandonados. O crescimento da atividade informal, igualmente, agiganta-se em razão da pouca oferta de emprego e, também, pela carência de qualificação profissional. Aos poucos os camelôs começam a tomar conta outra vez do Calçadão da Andrade Neves, enfeiando-o.
 Pelotas vive um bom momento, sim, mas uma chuva de açúcar sobre o sal que se acumulou no imaginário pelotense por anos a fio pouco adiantará se a mão que entrar na guaiaca sair vazia.
 Para que isso ocorra é imprescindível mudanças de paradigmas. Os “poderosos” da terra terão de aprender a olhar o entorno com generosidade, conferindo-lhe beleza urbanística, valorização do patrimônio histórico, e dotando a cidade de infraestrutura digna, arrancando-a em definitivo do passado. Passado que de quando em quando se maquia – sobretudo nos festejos - mas, como todos sabem a maquiagem dura pouco.
 Ano que vem Pelotas completa 200 anos. O que prevalecerá? O sal que os anos acumularam em nosso inconsciente ou o açúcar que, dia após dia, ganha importância na cidade, com pretensões de mudar nosso paradigma histórico? 

Manoel Magalhães

O Espírito das Ruas - Cervejaria - Pelotas/RS



Série que revela  Pelotas sob perspectiva radical. Um documento contemporâneo cuja intenção é mostrar os contrastes da Princesa do Sul às vésperas de completar 200 anos.  Nos próximos capítulos depoimentos de anônimos que ajudam a escrever a sua história. Neste capítulo cenas do prédio da antiga Cervejaria Brahma, localizada na Rua Benjamim Constant,  pertencente a Universidade Federal de Pelotas.

26 junho 2011

Restauradores e conservadores encontram mercado promissor

   Prestes a sair do meio acadêmico, os 20 novos Conservadores/restauradores da primeira turma do curso de Conservação e Restauro do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas (ICH/UFPel) enfrentam o desafio de desbravar um mercado de trabalho, ainda restrito, principalmente no Rio Grande do Sul. Tarefa que pode se tornar mais fácil a partir da regulamentação da profissão, projeto que ainda tramita na Câmara Federal.
       A formatura ocorrerá no fim deste ano e no segundo semestre haverá o quarto ingresso de alunos. Mesmo diante dessa leva cada vez maior de futuros profissionais, os professores do novíssimo curso - inaugurado em 2008, o segundo no Brasil em universidade pública - são otimistas quando o assunto é mercado de trabalho. 

Leia a matéria completa sobre o novo mercado de restauradores que deve se abrir, na edição impressa do Diário Popular deste domingo (26).

Por: Ana Cláudia Dias – anacl@diariopopular.com.br
 

22 junho 2011

Museu irá resgatar a história de Pelotas

      Na manhã desta terça-feira (21), a criação do Museu da Cidade foi tema em reunião no Casarão Seis da Praça Coronel Pedro Osório. Este foi o terceiro encontro que reuniu os representantes das instituições engajadas na criação do Museu que será instalado no Casarão onde residiu, durante quatro gerações, a família Antunes Maciel.

    O superintendente de Cultura da Secult, Mogar Xavier, salientou que o Museu da Cidade tem como proposta contar a história de Pelotas através da formação étnica do seu povo, reunindo acervos públicos e privados. Xavier ainda destacou que o projeto de utilização do Museu está sendo desenvolvido pelo coletivo.

    Entre os parceiros estão o Museu do Charque, Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas, Clube Cultural Fica Ahí, Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas, Memorial Theatro Sete de Abril, Associação Comercial de Pelotas, Associação Rural de Pelotas, Memorial dos Ex-Prefeitos, Museu do Saneamento, Museu da Etnia Francesa, UCPel – Acervo Nelson Nobre, Sociedade Libanesa, Sociedade Italiana, Sociedade Recreativa 15 de Julho, Programa de Rádio: Sempre é Carnaval, entre outros que serão confirmados nas próximas reuniões.

      Numa segunda etapa serão definidos os espaços de ocupação e a terceira etapa será a formatação do regimento interno, o plano  museológico e o decreto de criação. O projeto ainda tem que ser aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e pela Câmara de Vereadores.

21 junho 2011

Teoria da conservação e do restauro

Breve história da teoria da conservação e do restauro 
Eduarda Luso
Escola Sup. de Tec. e Gestão, Instituto Politécnico de Bragança, Portugal

 Paulo B. Lourenço
Universidade do Minho, Guimarães, Portugal
 
Manuela Almeida
Universidade do Minho, Guimarães, Portugal

Os monumentos sofrem as consequências das condições atmosféricas e dos diferentes usos sociais que gerações lhe atribuem ao longo dos tempos. Ainda que “restaurar” signifique repor em bom estado algo que perdeu as suas qualidades originais, a aplicação prática deste conceito não é simples. Tal como houve ao longo dos séculos uma evolução e alterações nos estilos usados na arquitectura, com aplicação de novos materiais, novas técnicas de construção e fundamentalmente novas correntes artísticas e arquitectónicas, o restauro também sofreu mutações, com mais intensidade a partir do século XIX. Da mesma forma, a noção de património abarca hoje consensualmente também pequenos edifícios, espaços envolventes, construções rurais e centros urbanos históricos de cidades e vilas.

LEIA MAIS CONTINUA EM

http://www.civil.uminho.pt/cec/revista/Num20/Pag%2031-44.pdf

06 junho 2011

A idéia de restauração em John Ruskin e Eugène Viollet-Le-Duc


   Há duas grandes correntes doutrinárias sobre a restauração do patrimônio histórico(CHOAY, 2003, p. 153):
1) Anti-intervencionista (na Inglaterra); e
2) Intervencionista (típica dos países europeus).
     A primeira corrente é simbolizada, principalmente, por Ruskin e Morris e a segunda por Viollet-Le-Duc. Aquela defende um anti-intervencionismo radical, onde “não se tinha o direito de tocar nos monumentos antigos, que pertenciam, em parte, àqueles que os edificaram e, também, às gerações futuras”. Para os anti-intervencionistas, a “restauração é impossível e absurda”, pois equivaleria a “ressuscitar um morto”, além de romper com a autenticidade da obra. Todavia, esses doutrinadores não excluem a possibilidade da manutenção, desde que imperceptível (CHOAY, 2003, p. 154-156; RUSKIN, 1901, p. 353). Por outro lado, os intervencionistas consideram que restaurar um edifício significa “restituí-lo a um estado completo, que pode nunca ter existido”. Sendo assim, se um edifício não continha todos os elementos necessários a compor um estilo, estes deveriam ser acrescentados no processo de restauração (CHOAY, 2003, p. 156-157). Em relação à corrente anti-intervencionista, Ruskin sustentava que a arquitetura era essencial à lembrança, sendo o meio mantenedor das ligações com o passado e a identidade coletiva. Nos edifícios antigos, por exemplo, pode-se perceber o valor incorporado pelo trabalho das gerações pretéritas, desde as moradias humildes às mais luxuosas (CHOAY, 2003, p. 139-141).
      O citado autor era contrário à industrialização e valorizava o trabalho manual realizado nos edifícios antigos, assim como as marcas decorrentes da passagem do tempo, por entender que ambos conferiam um caráter sagrado às edificações. Para Ruskin, o homem produzia, ao mesmo tempo, um objeto útil e uma obra de arte. Neste contexto, discorre sobre o dualismo entre a beleza e a utilidade sugerindo uma sutil distinção entre a arquitetura e a construção (BENEVOLO, 1976, p. 198; 200; CHOAY, 2003, p. 154).
Em sua obra Pedras de Veneza, critica as intervenções que lesam a estrutura da malha
urbana das cidades antigas. Sugere ainda que, no caso específico de Veneza, a arquitetura
doméstica como um todo desempenha o papel de monumento histórico. A mais, prenunciou a inclusão dos conjuntos urbanos na herança a ser preservada, além de ampliar a proteção dos monumentos em escala internacional (CHOAY, 2003, p.180-182).
Já no The Seven Lamps of Architecture, o mesmo autor destaca o potencial de memória
que o monumento histórico desempenha, em função do valor histórico de que se reveste, sem tratar das antiguidades. Desta forma, considera um “sacrilégio tocar nas cidades da era préindustrial, propondo continuar a habitá-las, como no passado”, como garantia da identidade individual e coletiva. Em suma: pretende-se viver as cidades históricas no presente (CHOAY, 2003, p. 182).
      Já em relação aos ornamentos industriais, tanto Ruskin como Viollet-Le-Duc os consideravam efeitos “monstrificadores”, que além de comprometer a finalidade da construção, adulteravam sua verdadeira beleza. Ruskin acrescenta, ainda, que o local apropriado para os ornamentos artesanais são os protegidos da agitação urbana, de forma a
possibilitar sua observação, excluídos os ambientes comercias e de trabalho, nos quais os ornamentos conduziriam à dispersão do olhar. Destacou, também, a aplicação criteriosa desta ornamentação no interior dos lares. Sustentou, também, que a automação industrial poderia substituir o trabalho humano em tarefas desgastantes, além de condenar as ornamentações que se passavam por determinados materiais ou técnicas de construção, com intenção mentirosa (PAIM, 2000, p. 29-30; 34-35).
      A título de curiosidade, cite-se que em 1846, a Academia Francesa criou um manifesto condenando a imitação dos estilos medievais. Não obstante, Viollet-le-Duc a refuta por acreditar que plagiava a linguagem clássica, além de reforçar a arte gótica como nacional. Em 1855, Ruskin também intervêm dizendo “não ter duvidas de que o gótico setentrional do século XIII se adequa às construções modernas dos países nórdicos” (RUSKIN, 1855 apud BENEVOLO, 1976, p. 86).

Retahalhado de:
Raquel Diniz Oliveira
Patrimônio: Lazer & Turismo, v. 6, n. 7, jul.-ago.-set./2009, p. 75-91
Revista Eletrônica Patrimônio: Lazer & Turismo - ISSN 1806-700X
Mestrado em Gestão de Negócios - Universidade Católica de Santos
www.unisantos.br/pos/revistapatrimonio


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